30.1.14

Com a chuva atravessada nos olhos

Jean Dieuzaide

Vivem na linha costeira dos continentes
com a chuva atravessada nos olhos.
Respiram demoradamente o odor salgado
das algas que lhes perturbam o corpo.
Enfeitam os pulsos com amuletos feitos de búzios
vermelhos para que o medo das noites de temporal
não os ponha em frente da morte
quando, sonâmbulos, escondem o olhar
à lenta agonia dos peixes.

Graça Pires
De Uma vara de medir o sol, 2012

27 comentários:

São disse...

Lindissimo, sem dúvida um dos teus melhores poemas!

Bem hajas.

Marta Vinhais disse...

Vencem o mar....Perdem às vezes...mas ninguém conhece melhor o mar...
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta

Mar Arável disse...

Excelente imagem
Belo texto

como sempre amiga

anamar disse...

Abracinho, Graça.

:)anamar

Pérola disse...

Um olhar sobre o mar e de quem faz dele vida muito impressionante.

Beijo

Cristina Cebola disse...

Magnífico poema!

Beijinho da

Cristina

Luis Eme disse...

retrato poético e realista...

abraço Graça

teresa p. disse...

A coragem é o lema que conhecem...
Belo poema e imagem.
Beijo.

Ailime disse...

Uma imagem e um magnífico poema que retratam com mestria uma dura e nobre realidade. Bjs Ailime

NãoSouEuéaOutra disse...

Dança de Palavras que o Tempo grava, e atroz é o Mar quando lhe convém!!
Intenso Poemar!!
Grata pela Leitura. Desconhecia-a.

manuela baptista disse...

mas são eles,

o poiso das gaivotas e do falar dos golfinhos e das baleias

mesmo a enfrentar a morte

um abraço,Graça

Odair Ribeiro disse...

Visitando, conhecendo.

manuela barroso disse...

Na perfeita sintonia de textos, o balancear das ondas na cadência das palavras num lindo poema.
Bji

Daniel C.da Silva (Lobinho) disse...

Bonita homenagem em excelente poema! Muito bem escolhidas as palavras...

Beijinho amigo

Vieira Calado disse...

É sempre bom ler a sua poesia!
beijinhos!

heretico disse...

vencendo as vagas... embriagados de vertigem.

belíssimo poema.

beijo


Benó disse...

Gosto de te ler.
A lenta agonia dos peixes será alguma vez interrompida?

Anónimo disse...

É como se a imagem e o poema se iluminassem mutuamente. Mas é a força e a beleza das palavras que revela o assombro de um destino em que "a chuva atravessada nos olhos" é condição para que a "lenta agonia dos peixes" se torne suportável.

ManuelFL

© Piedade Araújo Sol disse...

uma belíssima homenagem aos pescadores esses lobos do mar...

palavras muito bem escolhidas...

uma boa semana

um beijo


:)

Jaime A. disse...

É nos braços, nos pulsos, nas mão calejadas que vive o peixe tornado pão, no sal de uma vida de arremesso e regresso (se Deus quiser).
Um abraço.

Lídia Borges disse...


Poema/homenagem aos homens da faina, aos homens,hoje, quase sem mar de onde colher o fruto do seu suor salgado.


Um beijo

devaneadora disse...

Que lindas palavras, amei seu blog lindissímo.

Bekigirl

Menina Marota disse...

Vinha eu, pela calada da noite, "roubar" um poema e deparo-me com a porta aberta e tantos convidados a sorrirem.

Deixo um abraço, feliz, por ter tanta companhia! Bjinhos

Nilson Barcelli disse...

Têm uma vida de risco quase permanente.
Mas, sem eles, não teríamos o peixe, que é tão bom...
Excelente poema, como sempre.
Tem um bom resto de semana.
Um beijo, querida amiga Graça.

Elizabeth F. de Oliveira disse...

'Com a chuva atravessada nos olhos' leio tua poesia.

Um poema que exala o perfume do teu incessante lirismo.


Um beijo.

Graça Sampaio disse...

Muito bom! bela homenagem ao homens do mar! Ai se eles soubessem que há quem os considere assim!!

NAMIBIANO FERREIRA disse...

Grandioso e belo poema... e a foto um outro poema também.
Kandandu