25.2.14

Em seara alheia



Há um rumor nesta distância,
um ardil com que tinjo as palavras
em armadilhas que vibram 
mas não protegem. Há um porto,
deserto e húmido, como todos os portos
quando não estás, e há também um mapa,
um antiquíssimo mapa sem litorais
nem margens, onde eu refaço
esta insuportável sede de ti
comigo a desenhar ilhas no outro lado
do tempo. Há ainda - ou parece
haver - uma ponte... uma passagem
ameaçada - e tudo isto, tudo, porque
há um rumor nesta distância.

Victor Oliveira Mateus
In: Gente dois Reinos. Fafe: Labirinto, 2013, p. 25

25 comentários:

Lídia Borges disse...


A distância dita rente à possibilidade da perda, ainda que... pontes, travessias se avistem.

Muito belo!

Marta Vinhais disse...

Os rumores que tudo destroem...aumentam a distância...
Mas tudo é possível quando há ainda uma ponte....
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta

jorge vicente disse...

Há sempre vida [e rumores] entre os poemas.

Muito bom o poema do nosso Victor.

Abraços
Jorge

dade amorim disse...

Um belo poema, Graça! Muito bonito mesmo.

Beijos

Ailime disse...

Muito lindo este poema, este rumor! Beijinhos, Ailime

Pérola disse...

Há um sentir transparente em cada sílaba.

Beijo

Mar Arável disse...

As pontes projectam sombras

Cristina Cebola disse...

Magnífico poema!! Rumores que se me entranharam na alma, e me deixaram em estado de contemplação.

Grata! Deixo beijos

teresa p. disse...

Palavras cheias de significado e emoção. Gostei muito do poema e desta partilha. Parabéns ao Victor.
Beijo.

Nilson Barcelli disse...

Somos movidos por muitos rumores...
Uma bela escolha poética.
Um beijo, querida amiga Graça.

Anónimo disse...

Gostei muito deste poema.
Parabéns, Victor.

Manuel Fazenda Lourenço

Agostinho disse...

Porto lugar de refúgio, de chegada e de partida. Haja ponte.
Muito belo o poema escolhido.

Elizabeth F. de Oliveira disse...

Gosto muito da poesia do Victor Oliveira Mateus. E soubeste escolher, Graça, como ninguém esse poema, porque 'há um rumor nessa distância' que se desfaz pelas palavras.

Um beijo, minha amiga!

Benó disse...

Há palavras que protegem. Há sempre pontes mas nem sempre há vontade de as atravessar.

heretico disse...

belíssimo poema.

e bom conhecer novos Poetas.

gostei - deveras!

beijo

Teresa Poças disse...

Fabuloso este poema! Adorei!
A verdade é que há sempre uma distância, há sempre um rumor por ouvir e é isso que nos mantém vivos!

Beijinhos

Parapeito disse...

Gostei muito.
Não conheço Victor Oliveira Mateus...mas fiquei curiosa.
abraço e brisas doces**

manuela baptista disse...

a escrita alheia,

em seu lugar


um abraço, Graça

Ana Tapadas disse...

Muito belo este poema que escolheu para aqui editar.

(gosto muito do título do blogue.)

bj

Graça Pires disse...

Desenhas ilhas do outro lado do tempo porque as ausências provocam a sede, ameaçam as pontes e há,na distância, um rumor sem margens. Um poema muito belo como é todo o teu livro "Gente dois Reinos". É um gosto ter-te na minha "Seara alheia".
Um beijo, meu Amigo Victor.

Evanir disse...

Estou aos poucos voltando a esse mundo encantado
onde nossas amizades se eternizam com o passar
do tempo somos vidas que se une através de sonhos ,
e sonhos dos mais lindos ,
é esta amizade que atravessa mares ficando sem fronteiras ,
sem barreiras .
A semente boa e plantada em solo forte será
nossa colheita farta de amizades eterna,
que seguiram nossas vidas com nossos
mais absolutos sonhos em que sonhar é possível..
Deus esteja contigo e comigo.
Beijos carinhos na alma.
Evanir..

NãoSouEuéaOutra disse...

Boa Tarde, Graça.
A saudade é sempre o nome do cais, e o Corvo sempre anda de roda e faz crás crás... Sou servos do tempo, somos anzóis e peixes... e sempre seremos saudade como no principio.

Nem todas as marés levam a poeira das tristezas e das despedidas.
Um beijo

Jaime A. disse...

Num poema "de distâncias" há, apesar de tudo, uma ponte, mesmo passagem ameaçada... o leitor passa a ponte, com deleite.

helia disse...

Um Poema muito bonito ! Não conhecia o Poeta , mas gostei muito deste Poema !

Sandra Sofia Afonso disse...

Adorei este poema do teu amigo Victor!! De facto,é lindo ver como a poesia nos transporta para um mundo mágico e belo!! Beijinhos fofinhos!! http://sandrasofiaafonso1.blogspot.pt