17.5.14

O perfil das árvores desafiando o sol




Uma promessa na secreta aventura das sementes
e o cheiro dos pomares alastra sobre a sede
fendendo  as bocas onde nascem as palavras
da desordem e da festa.
Quando as aves atravessam o gume do lume ateado
à prenhez dos trigos enrodilhamos no rosto
os traços da tristeza que nos arde no olhar.
Só o perfil alongado das árvores desafiando o sol
nos devolve a lembrança das cantigas à desgarrada,
na eira, quando a debulha do milho se fazia
com as nossas mãos predispostas a todos os afagos.

Graça Pires
De Uma vara de medir o sol, 2012

39 comentários:

Marta Vinhais disse...

Porque desafiar o sol é renascer...
Lindo....
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta

Agostinho disse...

"Mãos predispostas a todos os afagos" que presentes se faziam na harmonia quando o homem vivia da natureza.
Um belo poema, Graça Pires. Evoca tempos de inocência campestre.
Obrigado.

heretico disse...

que as sebes se derrubem no cheiro de maduros frutos.

e a festa das palavras seja eira.

e as mãos o voo das aves - no gume do lume...

belíssimo.

beijo



...

Lídia Borges disse...


As árvores em aprumadas visões e um poema de levar à boca...

Um beijo

Vieira Calado disse...

Dizer, como era, nesse tempo!
Hoje vivemos destemperados!
Beijinho para si!

Sinval Santos da Silveira disse...

Poetisa amiga, Graça Pires !
Os mistérios que envolvem a semente, fazem parte das
minhas curiosidades, como a
imaginação do corte da luz,
ou da incrível beleza dos teus
escritos.
PARABÉNS !
Um feliz domingo, e um carinhoso
abraço, aqui do Brasil.
Sinval.

São disse...

è bom ver o perfil das árvores desafiando o Sol e ouvir cantigas à desgarrada.

Um abraço grande, minha amiga

Andrea Liette disse...

Belíssimo poema...

Como sempre, sua poesia me aproxima de Sophia de Mello, com seu olhar justo.

Abraço.

M D Roque disse...

Viva!
Hoje tive um tempinho extra, para poder ler e comentar como deve de ser.
Normalmente uso o G+1 para marcar presença, mas nem sempre me satisfaz.
É um privilégio ler escritos bons, e eu vou tentar ser mais presente.
Abraços e beijos. D

http://acontarvindodoceu.blogspot.pt

© Piedade Araújo Sol disse...

um poema a lembrar a infância e todos os seus encantos que de alguma forma nos marcaram...

muito belo!

:)

teresa p. disse...

Também as minhas mãos, naquele tempo bem pequenas, "afagaram" as espigas na debulha do milho na eira, onde a dureza do trabalho se misturava com cantigas à desgarrada.
Poema cheio de luz, tal como a foto.
Beijo

Sonhadora (RosaMaria) disse...

Minha querida

As lembranças são a bagagem que temos que carregar pela vida fora, são a nossa essência.
Como sempre deixo a minha admiração por ti.

Um beijinho com carinho
Sonhadora

Zilani Célia disse...

OI GRAÇA!
A MESMA MÃO QUE DEBULHAVA O MILHO, PRONTA PARA AFAGAR OU RECEBER AFAGOS...
LINDO GRAÇA.
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Ives disse...

Sol amarelado, divino. Encanto tocado nas sementes do milho, grifado num Santa poesia! abraços

silvioafonso disse...

.

Escreva na retina dos
meus olhos o seu nome
com os seus...

Beijos, Graça. Beijos.






.

manuela baptista disse...

pena as mãos que perderam os afagos,
como os ramos a afagarem o vento

.

mas é grande este seu desafiado canto

um abraço, Graça

Mariazita disse...

Imagens do passado nos ocorrem lendo e vendo o presente.
O sol filtrando-se por entre os ramos das árvores, quando crianças, podíamos aspirar o perfume dos pomares...
Muito lindo!

Uma excelente semana.
Beijinhos

Julia disse...


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ManuelFL disse...

Li este belo poema de Graça Pires como se estivesse a ouvir uma sonata.
No primeiro andamento somos conduzidos pela «secreta aventura das sementes», que tanto arriscam, até às «palavras da desordem e da festa». Um “allegro affettuoso”.
O segundo andamento, em que «as aves atravessam o gume do lume ateado», está imbuído de um “pathos”, de uma dor «que nos arde no olhar». Um “adagio dolce”, uma fina tristeza.
Conclui Graça Pires, recorrendo à sua apurada arte poética, com um “allegro cantabile”, invocando as «cantigas à desgarrada» da infância e convocando a generosidade das «mãos predispostas a todos os afagos.» E assim somos reconduzidos à festa da vida.
ManuelFL

DE-PROPOSITO disse...

na eira, quando a debulha do milho se fazia
-------
Lembro-me bem desses trabalhosm mas confesso que não tenho saudades. Eram tempos tenebrosos.
--------
Que a felicidade ande por aí.
Manuel

Eduardo Aleixo disse...

Versos de palavras maduras pendentes dos ramos dos pomares, trigais e eiras, pele seca do vento suão e dos calores de agosto, madureza dos anos e do tempo, saudades do viço, que os olhos vislumbram olhando para os ramos verdes das árvores, vestidos novos, hino renovado à luz e à mocidade.
Belo poema.
Beijo terno.

AC disse...

Os seus poemas são sempre de uma grande beleza, Graça, e este não foge à regra. Gostei muito.

Beijo :)

Daniel C.da Silva (Lobinho) disse...

É tanto o falar das árvores em dias assim...

:)

Aníbal Raposo disse...

Lindo poema amiga.
Beijo.

José María Souza Costa disse...

Olá.

Para você, os meus sentimentos carinho.
Meus desejos de um tempo de harmonia e contentamentos.
Abraços.

Maria Emilia Moreira disse...

Olá Graça!
Que bem trabalha e semeia as palavras neste terreno arável da poesia! Como a semente se roproduz embalada pela sombra das ramagens e fortificada pelo calor do sol.
Um abraço.

dade amorim disse...

Tudo que vc faz é lindo!

Beijo

Ailime disse...

Bom dia Graça, um poema lindo em que as memorias se desenham "no perfil alongado das árvores" em busca da luz! Muito belo. Um beijinho. Ailime

a noite (ser) disse...

Lindíssimo poema querida Graça, deixa-nos feixes de luz sobre o avesso das palavras. :) Beijo grande.

Olívia Santos

Fa menor disse...

Belíssimo!
Que as nossas mãos se predisponham sempre aos afagos.

beijinhos

carlos pereira disse...

E as palavras ondulam na boca como cerejas.
Gostei do poema.

Teca M. Jorge disse...

Poesia de puro renascimento...

Beijo.

Rita Freitas disse...

E só as lembranças nestas belas palavras!

beijinhos

Eduardo Aleixo disse...

Voltei a ler. É sempre o mesmo encanto. Beijinho.

Ana Tapadas disse...

Hoje vim vaguear no teu blogue.
Detenho-me neste poema...«secreta aventura das sementes»...belíssimo.

Bj

Lia Noronha disse...

Graça: obrigada pela visita ao meu Cotidiano.
abraços bem carinhoso

Elizabeth F. de Oliveira disse...

Só a profunda sutileza de um olhar poético consegue alcançar de forma tão sublime as palavras.
Assim, é a tua poesia, um arco-íris de metáforas a iluminar o nosso horizonte com as cores de uma eterna primavera.
Um beijo, querida!

avlisjota disse...

Olá Graça

Os sentidos afagam a alma, devolvem a luz e as lembranças.

beijos de amizade e admiração!

José

Parapeito disse...

Doce Graça, tão bonito... recuei no tempo em que pequenita ajudava na eira, na debulha do milho... e que alegria era quando me passava pelas mãos, o milho rei.
Abraço e brisas doces**