18.4.15

Em seara alheia



Tão pouco foi o que mudou.

A porta ainda a mesma, com seu chiar nos gonzos, seu gemer de cansaços.

O céu semeia oiro ou água ou vento, a entontecer donzelas, a agoniar os velhos.

Bem vês, pequena é a mudança.

A farinha ainda é pão e o pão é corpo e o corpo é alimento da vontade.

Os sonhos continuam, mais imprecisos, mais voláteis, e as vigílias mais longas, a segurar a terra na encosta.

Se queres saber do sobressalto dos pardais, posso dizer-te que já não bato palmas, que aprendi o sossego das ramadas.

Solto os braços, embrulho-me na tarde, abro o livro.

Um novo conto há-de começar.

Licínia Quitério
In: O livro dos cansaços: textos poéticos. Ed. da autora, 2015, p. 22

32 comentários:

Graça Pires disse...

Todos os que conhecemos a poesia de Licínia Quitério concordamos que ela sabe, como ninguém, aliar na sua escrita as vivências, o sentimento e a maturidade.
Este livro, que recomendo, é a prova disso.
Parabéns, minha amiga.

ॐ Shirley ॐ disse...

Belíssimo... Também quer embrulhar-me na tarde.
Parabéns, Licínia!
Beijos, Graça!

Sinval Santos da Silveira disse...

Amiga, Graça Pires !
Em " Seara Alheia ", rebuscaste um belo
texto, transbordando o meu coração de
imensa saudade.
Saudade de tudo....
Muito agradecido, e um fraterno abraço,
aqui do Brasil. Feliz domingo.
Sinval.

Ailime disse...

Boa noite Graça, um poema de uma beleza que me sensibiliza. Magnífico!
Vou estar atenta à poesia de Licínia!
Hoje deixei que o seu mar embelezasse os meus sinais!
Um beijinho e um bom domingo.
Ailime

Lídia Borges disse...


Muito belo. Uma leve nostalgia a roçar os sentidos. Assim a poesia da Licínia Quitério que aprecio muito

Obrigada pela partilha. Um beijo.

lis disse...

Também aprecio a poesia de Licínia Quitério_ escreve de forma que nos identificamos com os 'sonhos e as vigílias'.
Bonita escolha, Graça

Zilani Célia disse...

OI GRAÇA!
UM TEXTO BELÍSSIMO,DIGNO DE TEU ESPAÇO.
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Isa Sá disse...

Bonito!

Isabel Sá
https://brilhos-ds-moda.blogspot.pt

Marta Vinhais disse...

Porque há sempre novos contos na memória dos tempos....
Lindo....
Obrigada pela visita

Beijos e abraços
Marta

Andrea Liette disse...

Oi Graça, que bom que há poesia adornando o entardecer:
"A farinha ainda é pão e o pão é corpo e o corpo é alimento da vontade".
Um prazer estar aqui, partilhando a amizade.
Beijo.

Cadinho RoCo disse...

Nossa, que delícia acompanhar a evolução do pensar a desembocar nos braços abertos do livro a anunciar um novo conto.
Cadinho RoCo

Toninho disse...

Uma ótima partilha nesta recomendação Graça. As figuras presentes nos deixa suspenso nas nossas próprias memorias.
Assim como você ela alça voos magníficos.
Grato Graça.
Carinhoso abraço de belo domingo.
Bju de paz amiga.

Lilly Silva disse...

Que lindo texto! Maravilhoso!
Tenhas uma ótima semana!!!

Beijos e beijos

http://simplesmentelilly.blogspot.com.br/

Mar Arável disse...

Bjs para as duas

Licínia Quitério disse...

Muito obrigada, querida Graça.

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Gracitamiga

Belo. Belo? Belíssimo. Belíssimo? Belicimérimo!

Qjs já sem picantes

MARIPA disse...


Boa noite,Graça

Bem haja por esta partilha muito bela!

"Solto os braços, embrulho-me na tarde,abro o livro."

Sinto as palavras e aquieto-me.

Beijinho amigo.

Ives disse...

uau, que lindo! Sempre um novo começo, um novo livro, uma nova história! abração

Verinha Portella disse...

Bom Dia ,Graça Pires!!

Parabéns pela bela escolha do texto.
Aproveito para agradecer as visitas ao meu céu da felicidade e ao coração tagarela.

Abraços
veraportella

© Piedade Araújo Sol disse...

a poesia inconfundível de Licínia Quitério com uma mescla de nostalgia e muito sentir...

boa escolha!

beijo

:)

Existe Sempre Um Lugar disse...

Boa tarde, lindo poema que revela os contos existes na memoria, agora e sempre.
AG

Daniel Costa disse...

Graça Pires, o poema é detentor da criação de um ritmo fascinante, a fazer jus ao titulo.
Parabéns pela divulgação!
Beijos

Fê blue bird disse...

Uma poesia doce e nostálgica que me aconchegou alma.

Um beijinho amiga Graça

Reflexos e Sinais da Alma disse...

"Os sonhos continuam, mais imprecisos, mais voláteis, e as vigílias mais longas, a segurar a terra na encosta"

Boa Noite, numa viagem pela blogosfera aqui vim parar ... e ao ler este Poema de Licínia Quitério ... e especialmente com este trecho , não podia concordar mais com essas Palavras ...

Carmem Grinheiro disse...

Bom dia, Graça.
Uma forma poética de falar das "mesmices" da vida. Bonito.
Bela partilha, Graça.

bj amg

✿ chica disse...

Lindíssimo poema trazido,Graça! A vida, o cotidiano em momentos e a poesia! bjs, chica

heretico disse...

de uma serenidade irradiante. que ilumina e fortalece.

beijos (para as duas)

EU disse...

Subscrevo o teu comentário, só pela amostra que aqui partilhas. Iria repetir-me... Acrescento a excelência literária.
Obg pela partilha, Graça
Bjo :)

teresa p. disse...

A realidade feita poema. Belíssimo!
Parabéns à Lícinia Quitério e obrigada à Graça por a ter trazido ao seu espaço.
Beijo.

Alfredo Rangel disse...

Ler Licínia me leva a conhecer o sossego das ramadas. Excelente escolha, Graça. Tens mãos e alma voltadas para o que há de melhor em poesia. Beijo, mestra.

Jeanne Geyer disse...

fiquei curiosa em ler o livro, ainda que tenha vários a esperar. lindo demais teu post. vim, vi e gostei,rsrs já te sigo e aguardo tua visita no meu cantinho:

http://espiritismofacilitado.blogspot.com.br/

bjs

Parapeito disse...

Bonito e sereno.
Brisas doces*