25.7.16

Procuro a voz da inocência

Henri Matisse

No insondável lugar das encruzilhadas
traço os sons, acolho as formas,
corrijo a dicção.
Evito que as letras ignorem o lume
perturbante onde podem arder os sonhos.
Procuro a voz diferida da inocência
para estilhaçar o verbo no centro do medo
e espalhar o meu nome pelas pedras
tão alheias a qualquer simbologia.

Graça Pires
De Uma claridade que cega, 2015

49 comentários:

Agostinho disse...

para que na verticalidade
a palavra fique a marcar o espaço e o tempo
- a imortalidade.

Jaime Portela disse...

Mas não são inocentes as tuas palavras...
Excelente poema, minha amiga, gostei imenso.
Graça, tem uma boa semana.
Beijo.

POESIAS SENSUAIS E CONTOS disse...

Lindo poetar. Parabéns e uma feliz e inspiradora semana

Alfredo Rangel disse...

Graça, a cada vinda aqui, uma lição. Tanta criatividade, delicada e profunda. Mestra. Muito a ensinar. Muito a nos comover. Beijos.

LuísM Castanheira disse...

...como a criança que sonha
afagar estrelas na luz e pureza.

claridade...

um beijo, amiga!

Lucinalva disse...

Olá Graça
Lindo poema, desejo uma bela tarde. Abraços.

Marta Vinhais disse...

E se escrevam memórias de luz...
Lindo...
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta

Fê blue bird disse...

Essa voz está presente em todos os seus poemas amiga Graça!
Lindo, lindo!

Um beijinho e boa semana

Cidália Ferreira disse...

Como sempre fico encantada com os seus poemas. Parabéns por mais um.


Beijos de boa noite
http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

Mar Arável disse...

Apetece-me ser original no comentário

Belo o teu livro

Bjs

As Mulheres 4estacoes disse...

Alegria colocamos no nosso dia, quando podemos ouvir a voz da inocência.
Um abraço,
Sônia.

Lídia Borges disse...


Gosto muito da força imprimida às formas verbais que a Graça utiliza. O poema mexe-se.

Beijo meu!

Lídia

Maria Eu disse...

Que a palavra vença sempre o medo!

Beijos, Graça :)

graça Alves disse...

É também este o incansável trabalho do poeta que a Graça cumpre tão bem!
Beijinho

Bell disse...

Lindo =)

Majo Dutra disse...

~~~
«Um lume perturbante» que emite «uma claridade que cega»...
Muito belo o poema que procurou a voz inocente e imaculada.
Abraço, Graça amiga.
~~~~~~~~~~~~~

Mirtes Stolze. disse...

Boa noite querida Graça.
Um maravilhoso poema. Uma abençoada semana. Enorme abraço.

Toninho disse...

A voz que aclara e fala de coisas que acredito.
Profundo lindo poema de sua arte bela.
Semana linda para voce Graça.
Bjs da paz.

Isa Sá disse...

Bonito poema.


Isabel Sá
Brilhos da Moda

heretico disse...

em verdade, minha amiga, não sei se a inocência será possível.
todas as coisas - até as pedras - estão "maculadas" de sentido(s).

compete aos poetas - ambos o sabemos - descobrir a "gramática" de seu entendimento.

que assim seja - e na tua poesia acontece. sempre! - e então teu nome, poeta, é o nome de todas as coisas.

(desculpa a "banalidade" do comentário, Graça. poderia ter-me limitado a dizer que gosto muito do poema e de teu livro rss)

beijo, minha Amiga

© Piedade Araújo Sol disse...

assim é...com tão poucas palavras e tanta intensidade
mas a inocência se perde e é urgente a fazer reviver em nós e nas palavras
mais um belo poema
beijo
:)

Mariangela do lago vieira disse...

Esta voz acompanhará sempre aqueles que aprenderam a escutar!
Lindo demais Graça.
Beijos, com carinho,
Mariangela

Cadinho RoCo disse...

Hum! Momento sublime de inspiração. Grato por seu amor ao nosso Brasil.
Cadinho RoCo

Jeanne Geyer disse...

lindo, Graça, tão bom te reler... teu poema adquire vida, é quase visual. beijos :)))

http://notasborradas.blogspot.com.br/

Suzete Brainer disse...

O poeta pode ter o olhar da criança que não se perdeu (ativa no modo
do sentir...), dando a luz desta inocência as palavras, que dançam (se movimentam)
na racionalidade e estética literária.

Percebo o seu belo olhar sempre na sua poética
de grande Poeta!

Um beijo.

ManuelFL disse...

Graça convoca o seu trabalho poético - «traço os sons, acolho as formas, corrijo a dicção» -, na demanda de uma luz primordial - «evito que as letras ignorem o lume […] procuro a voz diferida da inocência para estilhaçar o verbo» -, e constrói um universo só seu, tão próximo do coração da vida - «o meu nome pelas pedras tão alheias a qualquer simbologia».

Adorei a escolha de Matisse para ilustrar este poema.

Beijo, Graça.

Pedro Luso disse...

Olá Graça.
Sua postagem já começa muito bem com essa tela de Matisse, depois segue com o “Procuro a voz da inocência”, um poema de singular beleza. Parabéns.
Abraço.
Pedro.

Ana Freire disse...

As coisas mais bonitas da vida... só podem ser vistas através da inocência... e são sempre os poetas... que as descrevem como ninguém, através das suas palavras...
Como sempre, um poema muito belo e profundo, Graça!...
Beijinho! Continuação de uma boa semana!
Ana

São disse...

Mais um bom poema, GRaça !

Beijinhos de bom dia :)

Catarina H. disse...

A representação do trabalho árduo de um escritor: transmitir o sentimento sem ferir a retórica.
Belas as suas palavras.
Gostei do quadro a acompanhar o texto.
Beijinhos

Silenciosamente ouvindo... disse...

Como é habitual em si uma excelente poesia.
Desejo que se encontre bem.
Bjs.
Irene Alves

teresa p. disse...

"Procuro a voz da inocência" é mais um poema pleno de significado e luz. Gostei muito e também da pintura que o ilustra.
Beijo.

Odete Ferreira disse...

Leio-te sempre a decifrar a semiótica que pretendes projetar com a escolha do léxico, tendo em vista mensagem. E sempre me encanto! No poema, a essência de um EU, eivado de qualquer contaminação. Excelente trabalho poético (para não variar).
Bjo, Graça :)

Sinval Santos da Silveira disse...

Oi Amiga, Graça Pires!
Boa noite !
Inclua, por favor, às demais manifestações,
o registro desta minha admiração, por tão
belos versos. Admiráveis versos !
Parabéns e um carinhoso abraço, aqui do Brasil.
Sinval.

Fê blue bird disse...

Até Setembro amiga Graça!

beijinho

Manuel Luis disse...

Uma linda descrição.
Um beijo na estrela.

Arroz Di Leite disse...

Bela poesia. Tenha um final de semana lindo.

Bjs

Tânia Camargo

Jaime Portela disse...

Gostei de reler este teu excelente poema.
Graça, tem um bom fim de semana.
Beijo.

ruma disse...

Olá. Seu senso criativo é graciosa.
O melhor elogio.

Obrigado por sempre visitar.
Cumprimentos de Japão. ruma

Daniel Costa disse...

Graça Pires
Um pedacinho, ao menos, da voz da inocência devia sempre ficar connosco. No caso fica mencionado pela poetisa, num dos seus bonitos poemas.

Postagem “Maranhão – São Luis”
Veja e comente o post
http://amornaguerra.blogspot.pt/
BRASIL: O SORRISO DE DEUS.
Beijos

Daniel Costa disse...

Graça Pires

Pelo menos, vale a menção da voz da inocência, num dos teus belos poemas.

Postagem “Maranhão – São Luis”
Veja e comente o post
http://amornaguerra.blogspot.pt/
BRASIL: O SORRISO DE DEUS.
Beijos

AC disse...

Prudente, tacteante, mas eternamente curiosa...

Um beijinho, Graça :)

DE-PROPOSITO disse...

perturbante onde podem arder os sonhos.
------------
Os sonhos ardem?!... Os sonhos dão alegrias e tristezas. E há sonhos que acabam nos destroçando porque foram sonhos que deram a ilusão de realidade, mas não passaram de sonhos.

Que a felicidade ande por aí.
MANUEL

Aline Goulart disse...

"A voz da inocência" é uma belíssima inspiração.
Mais um poema incrível. Parabéns! Acho que representa muito bem o que é escrever.
Ótima semana. Beijinhos.

Teresa Durães disse...

"pedras tão alheias a qualquer simbologia", contudo são depósito de histórias de todos os tempos. Lindíssimo!

Anete disse...

Lindo e profundo poema. A voz da inocência é pura e espontânea...
Uma boa semana... Muita paz e um grande abraço.

José Carlos Sant Anna disse...

É sempre bom este encontro com a palavra reveladora, sobretudo pelas mãos de quem conhece a aventura da escrita. E como gosto "dessas pedras tão alehias a qualquer simbologia".
Beijos,

solfirmino disse...

Muito significativo para mim este poema, gostei muito. Estou tentando lembrar algo meu parecido, mas como estou viajando, não estou com meus poemas todos neste notebook...

De passagem

o silêncio da palavra
rasga o fulgor da vida
no gesto mais simples
fértil
efêmera

o poeta se despe em cada poema
e sente a arritmia do tempo
quase musical
quase poesia
a dizer que
somos livres

Solange Firmino

Jaime A. disse...

À busca da palavra, do termo, para o deenvolvimento do texto. A análise precisa, o,traço que transporta o poema. Sempre a procura, sempre.

Um beijinho.