18.11.07

Em busca da própria voz

Picasso


De madrugada, encho folhas de papel
com um discurso sem vestígios da noite.
Inspiro-me na leveza do ar
sobre o meu peito feito cais de embarque
para uma fuga sem aviso
em busca da própria voz.


Graça Pires
De Conjugar afectos, 1997

16 comentários:

maria disse...

Que bom voltar a lê-la!
É um bocadinho como voltar a casa...
Um beijo

Mar Arável disse...

Eu só com a noite amanheço

bjs

soledade disse...

Porque escrever é um acto solitário, uma procura da revelação de nós a nós? E a madrugada pode ser tranquila, liberta de outras vozes, enleios?
Sejam quais forem as circunstâncias, escrevemos, afirmamos a nossa singular existência.
Um beijo, Graça,

Monte Cristo disse...

Vejo-te, etérea, neste poema.

E nesse cais de embarque buscas, certamente, um lugar de chegadas.

A eterna busca, não é?

hfm disse...

A busca da própria voz e como, por vezes, ela desafina tanto! como gostei. Sempre, sempre a eterna procura.

Marinha de Allegue disse...

A voz que nos identifica e delata...

Unha aperta grande grande.
:)

Luis Eme disse...

Gosto da tua inspiração...

de te ver a encher as folhas de papel...

e claro, do teu cais de embarque...

Teresa Durães disse...

hás vezes vem em catadupa. Noutras....

beijos

São disse...

Se vais em busca da própria voz...
pois que cantes!
Abraços.

Adernilson disse...

Oi, adorei as linas bem escritas com bom gosto.
Abraços

Lia Noronha disse...

Graça: muitas vezes buscamos desesperadamente o silêncio...pra encontrarmos respostas.....Bjus mil diretamente do meu Cotidiano.

Licínia Quitério disse...

Partir do cais do peito em busca da própria voz. Nas horas da madrugada e em muitas outras. Como um destino. Como uma condenação.

Beijo.

herético disse...

uma voz que madrugada solta. e não se deixa capturar...

belo.

Anónimo disse...

e eu regresso...não de madrugada...


já pelo dia adentro.


em sossego.


para te ler.
O desassossego.



beijo-!



/piano.

Graça Pires disse...

Muito obrigada a todos os que comigo partilharam esta busca da prória voz.
Um beijo.

F.M. disse...

há muito que não passava por cá mas é bom voltar.