2.5.07

Exausta de esperar



Exausta de esperar, descanso o olhar
na silhueta de veleiros pintados de negro.
Depois, desenho, em minha insónia, um pássaro,
que me sobrevoe a infância, hasteando,
bem por dentro da meninice, um rosto paterno,
para que a boca me não sangre de orfandade.

Naufragaste numa noite
em que o brilho da lua adormeceu
e deixaste-me uma ilha por herança.


Graça Pires
De Uma certa forma de errância, 2003

4 comentários:

alice disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
alice disse...

que fortuna, graça! que fabuloso tesouro uma ilha. a exaustão tem assim uma morada de repouso *

(fui eu que apaguei o comentário anterior, peço desculpa, beijinho)

Graça Pires disse...

Olá Alice. Gostei do seu comentário. De facto a ilha pode ser uma morada de repouso para a exaustão, mas pode também tornar-se um local de exílio, não é? Um beijo.

António Silva disse...

Por vezes é preciosa a paragem quando o stress e a monotonia reina.
É preciso recarregar as baterias para que as nossas agradáveis Poesias circulem abundantemente.
Se levamos tudo até ao limite das nossas capacidades por vezes o preço a pagar é demasiado alto.
Um Poema bem urdido e com uma imagem expressiva e significativa.
Um abraço e que a Poesia perdure e perdure.

Nem sempre a boa disposição
pode tomar conta do nosso coração
se nos falta dedicação e animação
contentemo-nos à laia da emoção.

Permanecer no vazio
é correr para o abismo
onde espreita o perigo
ansioso por laçar o perdido.

Criar Poesia não é fácil
nem sempre as ideias abundam
as incertezas e barreiras rondam
e cabe a ti Amiga seres hábil.