24.2.20

Cigana com criança

Amedeo Modigliani


Sou uma mulher
que ninguém chama pelo nome.

Hão-de nomear-me filha
do vento e dos caminhos. 
Hão-de ver asas em meus dedos
quando danço.

Mas a nenhum lugar pertenço
e intrusa me sinto do futuro
adivinhado em minhas mãos.

Quando embalo o meu filho
antevejo um estranhamento
gravado em sua sina
e um brasido de fogueira em suas veias.

Acoitarei na água da retina
a linha inacabada dos seus passos.

Graça Pires
De Fui quase todas as mulheres de Modigliani, 2017, p. 25  

58 comentários:

chica disse...

Pobre mulher quase invisível aos outros... Linda poesia ! beijos, ótima semana,chica

bea disse...

Não sei quantos ciganos chegarão a ler este poema tão bonito; é uma raça envolvida em anátemas, sulcada por altos muros de preconceito; que exige e atira como emblema a sua diferença. Julgo que tanto eles como nós devíamos ser educados para a adaptação comunitária, uns para entenderem a diferença, outros a esbatendo-a um pouco.

Luis Eme disse...

Adoro as tuas mulheres e de Modigliani.

Abraço Graça

Marta Vinhais disse...

Há pessoas que a Vida esconde... e no entanto, há promessas, sonhos e risos que se devem escutar....
Lindo....
Beijos e abraços
Marta

Olinda Melo disse...


Querida Graça

Na linha da vida tantas situações incómodas
e discriminatórias se perfilam.
O nome, importante na individualização
de cada um de nós, dito e bem pronunciado,
mostra o nosso lugar na sociedade. Lugar
exigido pela emergência que a igualdade
requer.


Gostei muito, minha amiga. Grande admiradora
da sua escrita.

Boa semana.

Beijinhos

Olinda

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Excelente poema muito bem ilustrado pelo belo quadro de Modigliani.
Um abraço e boa semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
O prazer dos livros

Alice Alquimia disse...

Um texto que é possivel nos vermos atraves de cada palavra.

Tais Luso disse...

Querida Graça, teu belo poema retrata toda a verdade que existe, um preconceito que quase não se fala por aqui, mas como existe!
Beijo, uma ótima semana.

Gracita disse...

Por não ser chamada pelo nome torna-se invisível aos olhos de muitos mas o carisma e a força que dela emana a torna imbatível
Poema lindíssimo minha amiga
Beijinhos

Mar Arável disse...

Poema e livro a reler
Bj

Cidália Ferreira disse...

Parabéns pelo excelente poema que partilha connosco!:)
-
Quando a saudade aumenta...
-
Beijos. Bom Carnaval, e uma excelente semana!

alberto bertow marabello disse...

bellissima poesia, complimenti
poi io adoro Modigliani

buona settimana anche a te
un abbraccio

Roselia Bezerra disse...

Boa tarde de alegria interior, querida amiga Graça!
O nome é nossa marca e, sem ele, ficamos desprovidos de toda identidade.
Belíssima representação do povo que sofre tanto preconceito.
Tenha dias muito felizes e abençoados!
Bjm carinhoso e fraterno de paz e bem

A Paixão da Isa disse...

cigana ou nao é uma mulher e mae como todas as outras gostei mt adoro os teus poemas sempre mt bem escritos bjs

Marco Luijken disse...

Hello Graça,
Wonderful to read these poetic words. So very nice.

Best regards,
Marco

JUAN FUENTES disse...

El futuro de las mujeres esta en sus manos.

Teresa Almeida disse...

Regresso, com prazer, às tuas mulheres de Modigliani, onde te entregas inteira.
Esta cigana é fascinante com tudo o que mostra de rejeição, estigma e, ao mesmo tempo, a dança na ponta dos dedos...

Beijos, minha amiga Graça.

carlos perrotti disse...

O trabalho do gênio de Modigliani aprimorado por seus íntimos sensíveis versos, Graça. Essa mulher passa a ter uma existência concreta.

Grande abraço, Poeta.

silvioafonso disse...

Graça você vai fundo com os seus
versos, hein, minha amiga. Que
beleza de poesia.
Um beijo, perdoa se cuspo confete,
e um bom dia de terça-feira.

Isa Sá disse...

Bonito poema.

Isabel Sá  
Brilhos da Moda

Humberto Maranduva disse...

Excelente poema, a testemunhar a mulher cigana enquanto elo indestrutível da cadeia da vida...
Um bom resto de semana.

Agostinho disse...

Perpétua a "linha inacabada" da cigana. Perpétua. Nomear, para ela, para ele, é verbo conjugado em minúsculas ressonâncias de medo, de repulsa. Assim, não ousam cruzar a fronteira do preconceito.
Excelente "Foi". Perpétua: foi, é, será.
Beijo, Graça Pires.

tulipa disse...

OLÁ GRAÇA

um post feito ontem e hoje já tem 22 comentários, quem me dera!

Venho agradecer-lhe a sua visita a vários blogues meus e as palavras de carinho que deixa
muito obrigada

Sobre o seu post, lindo como sempre
Parabéns!

Eu tentei dizer algo sobre mim:
Sou uma mulher
que poucos se lembram que existo
ninguém me telefona
ninguém me procura
ninguém me convida para sair

Beijinho da Tulipa

José Ramón disse...

Sorprendente, me ha encantado este poema Saludos

A Casa Madeira disse...

Acho que esse poema sería uma das peferencias desse grande pintor.
Adorei!
Obrigada pela sua presença lá na casa e uma boa continuação de semana.

Toninho disse...

Traduzida e eternizada cigana em belíssimo poema.
Um voo dentro de um mergulho na existência, que
fascina ao ler e entrar na pele da cigana.
Beijo amiga

Juvenal Nunes disse...

É isso mesmo: para lá das raças, para lá das etnias, o amor de mãe sobrepõe-se sobre tudo quanto possa obstaculizar os passos do filho das suas entranhas.
Saudações poéticas,
Juvenal Nunes

teresa dias disse...

Um hino à mulher "que ninguém chama pelo nome".
Querida amiga Graça, a tristeza no olhar da Cigana de Modiglini foi, penso eu, a inspiração para este belíssimo poema. Parabéns!
Beijo.

ManuelFL disse...

Comovente este grito de uma mulher que ninguém chama pelo seu nome, que a nenhum lugar pertence, e que sente que esse anátema perseguirá o filho que embala nos braços.

Um poema que nos inquieta e desassossega.
Quando deixará o homem de ser o lobo do homem?

Beijo.

Ana Freire disse...

Uma verdadeira homenagem a todas as mulheres... mães...
Excepcional... e universal... este notável poema, Graça!
Um beijinho grande! Votos de continuação de uma feliz e inspirada semana!
Ana

Ailime disse...

Boa tarde Graça,
Um poema muito belo, que me comoveu pela intensidade poética com que aborda um tema infelizmente ainda tão presente sobre a descriminação dos filhos sem terra nem chão que vagueiam pelo mundo a esconder-se no vento.
Adorei este poema.
Um beijinho minha Amiga e Enorme Poeta.
Continuação de uma boa semana,
Ailime

Majo Dutra disse...

Ficou bem sublinhado que acima de tudo, prezam
a liberdade, a natureza e o ar puro...
Mais uma legenda poética encantadora.
Dias confortáveis a seu gosto.
Beijinhos
~~~~

manuela barroso disse...

Infelizmente , acompanha- os o anátema de indesejados . Peregrinos da vida , fazem do vento a sua cama e do acaso a sua mesa .
Como todos , um poema enorme , belo, que deixa um amargo de boca
Um grande abraço minha tão querida amiga Graça!

Flor disse...

"hao-de ver asas nos meus dedos" nunca me tinha lembrado disso quando vejo as bailaoras a dançar e os dedos parece que voam.
Gostei muito do poema e da pintura de Modigliani.

Beijinho.
Maria Isabel Quental

Flor disse...

Levei este lindo poema para o meu blogue https://poemasehaikusdeflorblogspotcom.blogspot.com/2020/02/cigana-e-crianca.html
Espero que não se importe 💓

Jaime Portela disse...

Se há pessoas com sina são os ciganos.
Apesar de todos dizerem que não, continuam a ser marginalizados.
Excelente poema, parabéns pelo talento.
Graça, continuação de boa semana.
Beijo.

José Carlos Sant Anna disse...

E o teu nome é poesia, é linguagem. Um retrato indesejado e tão bem esculpido que o desejo é vê-lo exposto para que todos o vejam e tomem consciência dessa dura realidade. E tão poética sob as tuas mãos.
Um beijo, minha amiga Graça!

Anónimo disse...

que lindo

Teresa Durães disse...

Uma descrição muito bela!

teresa p. disse...

Um poema impressionante de grande beleza! A mulher cigana a que ninguém chama pelo nome, filha do vento e dos caminhos e que tem asas nos dedos quando dança, embala com amor o seu bebé, sabendo que a mesma sina lhe caberá na vida.
É injusto o preconceito contra a raça cigana, injustos todos os preconceitos que criam desigualdade e separam os seres humanos.
Poema que comove e inquieta. Sublime!
Beijo.

Anete disse...

Ser cigana..., um poema profundo e tocante ao coração. Todos precisamos de "nome e de dignidade"...
Muita paz e o meu abraço, Graça...

madrugadas disse...

Um poema que nos dá uma visão diferente, romântica e poética. Gostei.
Saudações amigas.

vida cap de hoje disse...

Achei muito interessante atualmente esta sua postagens. Parabéns!
Vida cap

© Piedade Araújo Sol disse...

Um poema forte e com muitas ilações.
Com sina.
A imagem muito bem escolhida.
beijinhos
:)

Manuel Veiga disse...

perfeito, teu canto!
como negro o enguiço da Mulher que "ninguém chama pelo seu nome"

Poema cintilante, como o mais puro cristal

amo todas as tuas "mulheres de Modigliani" - insuperáveis, Graça!

beijo, Poeta

saudade disse...

Não só as ciganas são invisíveis a quem não quer ver.
Parabéns está muito bom..
Bom fim de semana

AC disse...

Os ventos que se avizinham parecem tudo querer arrasar, e deles não constam filhos à ilharga. Tempos danados.

Um beijinho, Graça :)

Vanessa Casais disse...

Que lindo Graça.

Só hoje me apercebi que ainda não seguia este cantinho que tanto estimo.

Beijinhos,
Vanessa Casais
https://primeirolimao.blogspot.com/

Zilani Célia disse...

Oi Graça!
Para mim foi como se lesses a alma de uma criatura sem pertencimento a lugar algum, a cigana.
Parabéns, adorei.
Abrçs

LuísM Castanheira disse...


Estigma, como se ser diferente
fosse sina ou nómada de futuro incerto.
Este e' um grito interior, apesar da resignação.
Gostei muito desta "Cigana com criança",
poema soberbo, que nos remete para o racismo, patente
neste mundo que nos rodeia.

E seria tão fácil saber o seu nome...

Um beijo, minha Amiga Graça.

Carlos Augusto Pereyra Martínez disse...

Cuánto dice de sentimientos, desde el verso, sobre el coleto sentimental de la mujer gitana, bailadora y quiromántica. UN abrazo. Carlos

Micaela Santos disse...

Que poema tão lindo e com uma mensagem tão importante!
Não conheço o nome de nenhuma cigana ou cigano.
Também não sei de onde vêm, qual o seu país de origem.

Um beijinho e boa semana!

María Dorada disse...

Hermosa poesía sobre la mujer.

Muchos besos.

Sinval Santos da Silveira disse...

Querida Mestra, Graça Pires !
Perfeito retrato falado, e escrito, da alma cigana.
Uma verdadeira oração...
Tenho uma amiga cigana. É assim mesmo, como a
descreves nestes teus lindos versos !
Parabéns e um carinhoso abraço, aqui do Brasil !
Sinval.

solfirmino disse...

Ah, essas mulheres de Modigliani... acho que sou um pouco como essa, não sinto pertencer a nenhum lugar.
Beijo querida.

Ailime disse...

Boa noite Graça, relendo algums dos seus belos poemas encontrei neste meu comentário um erro que não posso deixar de retificar. "Discriminação" e não como distraidamente escrevi. Desculpe. Bjs

vida entre margens disse...

Um poema, que de certa forma, tem um pouco de todas nós...
Belo demais!

rohit sharma disse...

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