Vêm de toda a parte.
Aos milhares.
Confiam que lhes acolham
a sombra dos sonhos
que já sangra em seus pés.
Mendigos e fugitivos
procuram deus
com suspeitas no olhar.
Seleccionar o ângulo de um rosto, sem lhe macular a luz, como se, a meia voz, pudéssemos reter os múltiplos reflexos do júbilo e das mágoas.
Afasto, devagar,
dos ombros da manhã,
a lonjura de cera
implícita nos meus passos
como um aviso de asas.
Já não podem tardar
os dedos que sufocam o medo
nos degraus da noite,
contos de fada
vidrados nos meus pulsos,
ângulo ou curva
de ternuras ausentes,
sinal anterior
a qualquer contradição.
Sou, por instantes,
um sossegado insecto
na flor dos lábios.
Sei que algumas amigas e alguns amigos são meus leitores desde o primeiro livro e por isso possuem os 11 livros que constam desta antologia. Mas, para os que não os têm, esta pode ser uma oportunidade de adquirirem estes Poemas Escolhidos, se tiverem interesse ou gostarem de oferecer a alguém. Eu agradeço o carinho.
Aqui vos deixo um poema do livro:
António Cravo
Para todos os que amam a Poesia
Quando as palavras
De Talvez haja amoras amaduras à entrada da noite, 2025, p. 27
Agora os nomes são cristais de sangue
Possuo o tremor do gesto no vitral das mãos
E sei que cada nome pode ser uma emboscada
Manuel Fazenda Lourenço
A convite da Amiga Rosélia aqui deixo a minha participação, nesta fraterna interacão de Natal
História de amor
Que a estrela de Natal venha anunciar a paz
e acabe com a guerra, com o sofrimento, com a fome no mundo.
Que brilhe na nossa vida.
Que nos traga saúde e conforto.
BOM NATAL. BOM ANO 2026
LITURGIA
Deciframos o orvalho
no sequioso fôlego
de quem aguarda
à boca do inverno
um líquido sopro.
É a sede.
É sempre esta sede sem fim
a demandar a nascente perfeita
onde as águas se bebem
demoradamente.
Ignoro se alguma nascente
mitigou a sede em minha voz arável
no barro quente da infância
onde todas as falas eram possíveis.
Há um espaço vazio
nos pormenores desse passado
rasgado na clareira da memória
onde uma luz impiedosa
emerge de si mesma sem aviso.
Agora por mero acaso o procuro.
Inutilmente.
Graça Pires
De O improviso de viver, 2023, p. 18
O SONHO ADORMECE LENTAMENTE
14.