23.9.19

As primeiras chuvas de setembro


Katia Chausheva

Antes da queda, o pássaro ferido deteve-se
na árvore mais frondosa para cingir a haste
quebrada em suas pupilas ausentes do brilho.
Tinha voado para além das nuvens
quando os braços do vento tornaram interdita
a distância azul que perseguia.
Ao cair da noite demandou o abismo
para ajustar o voo à viagem já vencida.
E com asas de orvalho urdiu
as primeiras chuvas de setembro.

Graça Pires
In: Soltícios e Equinócios: antologia. Coordenação de Emanuel Lomelino. Lisboa: Edições Vieira da Silva, 2016, p. 63

53 comentários:

Gil António disse...

Olá:- Pura fascinação poética. Gostei da imagem.
.
POEMA ** O mar e o destino **
.
Feliz início de semana

Giancarlo disse...

Buon inizio settimana

Toninho disse...

E entramos em Primavera pelo sul e os pássaros cantam felizes,
e que as flores os afaguem, antes que um vento o cesse de voar.
Um poema bonito em poesia e emocionante nas asas feridas.
Uma semana linda para você Graça.
Flores de nossa Primavera para você.
Beijo amiga.

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Um belo poema minha amiga, gostei e aproveito para desejar uma boa semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
O prazer dos livros

chica disse...

Intenso e lindo teu poema... As chuvas alcançam mesmo nos voos... Gostei muito! Feliz OUTONO! bjs, chica

Cidália Ferreira disse...

Tão bonito de sentimento !! :)

-
Melancolia das manhãs ...
Beijos e uma excelente semana!

Marta Vinhais disse...

E entra também a tristeza e as cores de Outono....
Lindo...
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta

Tais Luso disse...

Querida Graça, vocês aí entrando no outono vento, chuva, trocando de estação; nós aqui entrando hoje na primavera depois de um inverno meio longo pro meu gosto, pois gosto de alegria e sol. Mas essa troca de estação mostra e destaca a beleza de cada estação, principalmente primavera e verão. E o outono, é renovação!
Beijo, amiga, uma ótima semana!

Teresa Durães disse...

Que lindo poema! (ando um pouco distante, a cabeça baralhada, a paz mal conseguida)

Roselia Bezerra disse...

Bom dia de Outono, cheio de reflexões, querida amiga Graça!
O pássaro vai voar mais sereno se ocultando dos perigos em árvores frondosas nessa belíssimas Estação aí.
Tenha dias abençoados!
Bjm carinhoso e fraterno de paz e bem

carlos perrotti disse...

Este poema certamente ficará como parte da sua antologia, Graça. Sua perfeição o torna um dos meus favoritos entre as maravilhas que eu já li de você.

Abraços, poeta.

Jornalista Douglas Melo disse...

Graça,
Tem uma frase minha que diz: "Não sou daqui, não sou dali e não sou de lá... De certa forma, somos todos aves migratórias!"
Muito bom o teu poema!
Que seja-bem vinda a primavera!
Beijos!!!

© Piedade Araújo Sol disse...

Eu diria que a Graça fez o poema inspirada na foto, mas sei que não.
Este poema é intenso e comove, pela sua perfeição e remete-nos para uma intensa reflexão sobre este voo inusitado do pássaro, no seu ousado voo.
Também nós por vezes temos esta ousadia, mas vamos sobrevivendo, apenas com as feridas, mas não temos o condão de urdir as chuvas de Setembro.
Gostei, reli e fiquei a pensar!
Um grande momento de poesia!
Boa semana amiga Graça e que essa inspiração nunca lhe falte!
Beijinhos
:)

SILO LÍRICO - Poemas, Contos, Crônicas e Outras disse...

Ah... um pássaro ferido,
Nada seria e é tudo
À Primavera, pois mudo
Não há canto a um canto tido

À fauna que dá sentido
À flora e sobretudo
Às flores. Se não me iludo,
O encanto indefinido

Vem do canto encantador
De um pássaro ao seu amor
Que procria à Primavera.

E assim restará a dor
Da fêmea que em clamor
Pia do ninho à espera!...

Grande abraço! Laerte.

Manuel Veiga disse...

Tão bonito, Graça...
e como não desejar "asas de orvalho", quando, ferido o pássaro,
a distância do azul se alonga, contra o vento?!...

gostei muito

beijo, minha Amiga

JUAN FUENTES disse...

Magnífico poema

bea disse...

As primeiras chuvas de Setembro são as melhores chuvas. Porque alimentam e dessedentam a terra; purificam o ar e tornam-no mais transparente, matam insectos indesejáveis, regam-nos as plantas e lavam o mundo por igual.
E há o cheiro a terra molhada, esse cheiro bom da natureza.
É um poema bonito

Maria Emilia B. Teixeira disse...

Gosto de pássaros e de setembro mês que nasci e as flores acordam.
Boa semana.Bjs.

baili disse...

this is intense and touching dear Grace !

Remarkably done!

i saw the wounded bird ,stuck in storm ,with faith and hope as wings :)
they will bring him land and serenity for sure
blessings!

teresa dias disse...

Parabéns, querida amiga Graça, pelo comovente/belíssimo poema e escolha da imagem do pássaro ferido.
Gostei muito desta tua postagem com as cores do Outono.
Beijo, boa semana.

Marco Luijken disse...

Hello Graça,
Your words about the end of the birds life are wonderful.

Big kiss, Marco

Isa Sá disse...

Bonito poema.

Isabel Sá  
Brilhos da Moda

Anete disse...

Lindo demais o seu poema, Graça! Uma expressão marcou a minha leitura: "Ajustar o voo"!
Boa terça-feira e o meu abraço...

LuísM Castanheira disse...

e’, realmente, um grande momento de poesia,
como acima escreveu a Piedade, Graça!
ir além do sonho e o preço pago, no
último voo, trágico, com o destino traçado.
transmutar a perfeição, neste poema que, de fim
tão triste, emociona pela beleza “de orvalho” urdida.
um beijo, minha querida amiga.

https://numerodosfamosos.com.br/ disse...

Achei muito interessante atualemnte esta sua postagens. Parabéns!
Número dos famosos

A Paixão da Isa disse...

pois nos por aqui ja cheira a outono mas o teu poema ele é lindo e deixa a pensar bjs

Majo Dutra disse...

O pássaro que voou mais alto que as nuvens,
que regressou ferido a uma árvore frondosa onde se abrigou, trazendo chuva benfazeja...
Gosto das primeiras chuvas de Setembro e da amenidade do início do Outono.
Um Outono muito agradável, Graça.
Beijinhos, minha Amiga.
~~~~~

silvioafonso disse...

Eu, no momento, tenho um pouco
do passarinho, da nuvem que o vi
e da árvore que o acolheu.
Beijos, poeta. Muitos.

Pedro Luso disse...

"Antes da queda, o pássaro ferido deteve-se
na árvore mais frondosa para cingir a haste
quebrada em suas pupilas ausentes do brilho [...]".

Gostei muito, querida amiga Graça, do teu "As primeiras chuvas de setembro", poema de grande beleza. Parabéns!
Uma ótima semana Graça.
Um beijo.
Pedro

lanochedemedianoche disse...

Aunque con alas rotas llegó a la sima, bello poema. Interesante
Abrazo

Sam Seaborn disse...

Um voo de uma vida... intenso, belo e tão profundo quanto a vida...

Gostei da escolha da imagem, beijinhos

Ana Bailune disse...

Mas é a vida... mesmo a morte é.

Gracita disse...

Na vida costumamos agir como os pássaros e alçar altos voos para depois quedar-nos cabisbaixos quando os sonhos não se realizam
A beleza poética do seus versos, encanta-me, Graça
Grande beijo e terno abraço

solfirmino disse...

Ah, as primeiras chuvas da estação. E como são mais dolorosas vistas pelos olhos de um poeta.
Belo poema, como sempre são os seus poemas.
Um beijo amiga.

As Mulheres 4estacoes disse...

Um lindo poema.
Nem sempre conseguimos alcançar o azul, a chuva nos pega desprevenidos pelo caminho.
Um abraço
Sônia

Humberto Maranduva disse...

O ciclo de vida que aparentemente termina no início de cada Outono (Fall), como faz notar a autora - Graça - com a genial imagem do pássaro que cai; mas, "(...)com asas de orvalho urdiu as primeiras chuvas de Setembro." Aqui, a água, elemento fertilizador por excelência, começará a tecer, também, um novo ciclo multiplicador da própria vida.
Mais um excelente poema, minha amiga.
Bom resto de semana.

Sinval Santos da Silveira disse...

Querida Escritora/Poetisa, Graça Pires !
Já presenciei, muitas vezes, esta triste
cena de morte...
A chuva cai, tenho certeza, por solidariedade
à dor, que já não pode ser remendada.
Tristeza à parte, lindo e realista o texto.
Parabéns !
UIm fraternal abraço, aqui do Brasil, e um
feliz final de semana !
Sinval.

Gaby Soncini disse...

Que doce e linda imagem de primavera!
Que as chuvas reguem tudo de mais bonito.

Abraços!

fatimawines disse...

Com as primeiras chuvas de Setembro, a fruta madura cai, as folhas soltam-se ao vento e, nós? por um momento pensamos no ciclo da vida.
O seu poema é isso e muito mais. bj.

Olinda Melo disse...


Aqui somos confrontados com a própria vida!
A chuva que nos traz a água que,
juntamente com o Sol, nos alimenta e dá
forças; O pássaro que se eleva e acaba caído
ferido de morte.
São ciclos que se completam e sobre os
quais deveríamos reflectir e tirar conclusões
sobre a nossa acção e responsabilidades.

Adorei. Admiro bastante a sua escrita, minha
amiga.

Beijos

Olinda

ManuelFL disse...

Antes da queda tinha voado para além das nuvens.
Quando chegou o interdito demandou o abismo.
As chuvas de setembro anunciam a mudança de estação, mas já nada podia impedir a viagem já vencida.

Magnífico o poema, uma sonata construída com palavras.

Beijo.

Jaime Portela disse...

Um poema de excelência.
Como é habitual por aqui, de resto.
Graça, um bom fim de semana.
Beijo.

alfacinha disse...

as primeiras chuvas de Setembro são bem-vindos . A natureza suplica de água
abraços

Ailime disse...

Boa tarde Graça,
Um poema muito belo urdido com a sua estética poética que tanto admiro.
Um grande beijinho, minha Amiga e enorme Poeta.
Tenha também uma boa semana.
Ailime

Ana Tapadas disse...

Ah, Graça, que belo!

Beijo meu

Teresa Almeida disse...

"E com asas de orvalho urdiu
as primeiras chuvas de setembro."

Em poesia tudo é possível. E é na queda que a tornas redentora. Sobes tão alto, Graça!

Abraço festivo.

A Casa Madeira disse...

Com esse belo poema chegamos na primavera por aqui.
Tenhas uma boa entrada de mês de outubro.

Carlos Augusto Pereyra Martínez disse...

Me gusta el espíritu mítico de este poema pluvial. Un abrazo. carlos

Agostinho disse...

Um poema dolorosamente outonal, tão límpido, de uma clareza crua e bela, num modo que só a querida Poeta sabe transmitir.
Parabéns, Amiga Graça Pires.

O pássaro sou eu?
de garras e asas tolhidas
e a impiedosa força que chama
ao chão da terra?
Como há-de manter-se o voo
o quilíbrio no galho incerto
se o vento o frio a chuva crescem
se a escuridão encurta a luz dos dias
que aí estão?

Beijo.

manuela barroso disse...

E quantas vezes voamos para além do que nos é permitido, só para alcançar um pouco mais de azul, um pouco mais de luz numa constante inquietação de ir um pouco mais além! Resta-nos recolher ao abrigo mais próximo, ainda na expectativa de um voo solar. Mas abate-nos a noite da vida, num qualquer outono.
Que imenso prazer é saborear a tua poética!
Um abração, querida amiga!

Anónimo disse...

O pássaro "tinha voado para além das nuvens" em busca do azul. Um sonho que excedeu os seus limites e o fez cair e ferir as asas. "E com asas de orvalho urdiu as primeiras chuvas de Setembro".
Um poema cheio de imagens profundas e de grande sensibilidade. Uma maravilha, bem como a foto que o ilustra.
Beijo.
teresa p.

Fá menor disse...

Quando as asas voam para além do limite e as forças se quebram
pode ser que a chuva seja um abraço.

Gostei muito. Palavras conjugadas que dão muito gosto ler.

Boa semana!

Beijinhos.

José Carlos Sant Anna disse...

o pássaro
tecido em linguagem
antes rijo de sangue
débil
resvala, desliza
no escuro caminho
mensageiro de nosso último apelo,
"urdindo" a chuva em suas asas.

Um beijo, minha amiga Graça!