9.2.26

Os nomes

                         

Catrin Welz Stein



Pousei devagar o silêncio por dentro das palavras
sem ignorar seus gumes para que a voz vigiasse
os nomes sombrios pronunciados para sempre.

 

Agora os nomes são cristais de sangue
que pegam lume à minha língua.

 

Possuo o tremor do gesto no vitral das mãos
nervo tenso vacilante e silente
ocultado na desordem de um grito.

 

E sei que cada nome pode ser uma emboscada
um esconderijo um lugar de encontro
um lugar para morar ou a denúncia da morte.

Graça Pires
De O improviso de viver, 2023, p. 41

26.1.26

Fascínio da inocência

                             

                       Manuel Fazenda Lourenço


Diz-me a brevidade
das fogueiras acesas
sobre a areia húmida
na hora em que a febre e o sal
alucinam o vento.
Cobre-me de linho antigo
se o o ímpeto do sol incide sobre o mar.
Envolvente será a espuma das ondas
aberta ao fascínio da inocência
desoladamente perdida.

Graça Pires
De Talvez haja amoras maduras à entrada da noite, 2025, p. 8

12.1.26

A luz das açucenas




No impulso da manhã,
o nevoeiro esfarrapa-se
sobre os arbustos,
incerto e sem peso.
É o momento em que o olhar
não tolera a luz que incide
sobre branquíssimas açucenas.
Digo pétala, e o perfume de cada flor
estremece no olfacto
como um sismo brando,
com réplicas no chão flexível
que me prende e torna urgentes
os caminhos repetidamente pisados.

Graça Pires
De Antígona passou por aqui, 2022, p. 48


Informo todas as minhas amigas e todos os meus amigos que, por motivos pessoais, vou fazer um espaçamento maior entre postagens. Mas sempre que actualizar visitarei cada um dos blogues. Obrigada pela compreensão.