1.6.20

Menina de azul

Amedeo Modigliani


Em todos os relógios
da cidade, os ponteiros
marcam a hora
inesperada da inocência.
Tudo parece perfeito,
Excepto o meu rosto
de menina, asfixiado
na moldura do tempo.

Graça Pires
De Fui quase todas as mulheres de Modigliani, 2017, p. 13

58 comentários:

Juvenal Nunes disse...

...e o "tempus fugit"...
Saudações poéticas.
Juvenal Nunes

Majo Dutra disse...

Gosto sobremodo desta tela de Mondigliani que ficou muito bem
a assinalar esta terna efeméride.
E a sua legenda poética está expressiva e muito especial.
Uma boa semana, querida amiga.
Beijinhos
~~~~~

Reflexos Espelhando Espalhando Amig disse...

Graça,
Bom dia.
Sabe que li e reli seu
texto, parece um mantra...
Belo e calmo.
Bjins de boa nova semana e
bom novo mês.
CatiahoAlc.

teresa dias disse...

Bom dia, querida Graça!
Que bem poetizaste sobre o expressivo/«asfixiado» rosto da menina pintada por Modiglini.
Menina que retida na «hora da inocência» voltou a viver em versos teus.
Gostei muito!
Beijo, minha amiga, boa semana.

saudade disse...

Tudo parece perfeito, porque não olhamos com olhos de ver para aquilo que nos rodeia.
Boa semana

Marta Vinhais disse...

Parece... mas nem sempre o é...
Lindo...
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta

chica disse...

Lindo e doce poema,Graça! Feliz dia das crianças grandes e pequenas! beijos, chica

madrugadas disse...

Gosto do tema e da menina vestida de azul.
Os relógios podem marcar o tempo, mas não a hora da inocência.

alberto bertow marabello disse...

Dolcissima poesia, amica
E bellissimo Modigliani

José Carlos Sant Anna disse...

Meditação sobre a passagem do tempo, da água que não cessa de correr e não volta.
Também se meditar sobre a passagem do Dia das Crianças, em Portugal, quando “em todos os relógios da cidade, os ponteiros marcam a hora inesperada da inocência”, mas há alguém a contradizer o relógio.
Um beijo, minha amiga Graça!

AC disse...

As amarras das convenções, nas crianças, são autêntica tortura, castradoras do desabrochar das asas.
Sempre tão bem, Graça.

Um beijinho :)

Roselia Bezerra disse...

Boa tarde feliz, querida amiga Graça!
Vamos revivendo nossa infância tão querida...
Sua menina prossegue travessa e fazendo artes na poesia.
Tenha um novo mês abençoado!
Bjm carinhoso e fraterno de paz e bem

Sinval Santos da Silveira disse...

Mestra Graça Pires !
Quanta realidade este texto encerra, Amiga !
Quantas verdades e lembranças, no coração
inocente da infância feminina...
Parabéns, uma ótima semana e um fraternal
abraço, aqui do meu Brasil !
Sinval.

Teresa Durães disse...

Lembranças de quadros, eu matei-as.

A Paixão da Isa disse...

uma menina um pouco triste mas com u poema lindo bjs feliz semana

manuela baptista disse...

A moldura é um círculo fechado, um quadrado às vezes,
daí a asfixia

A infância aprisionada é um amor-azul-perfeito.

muito bonito, Graça

carlos perrotti disse...

Versos incríveis, invejáveis, como sempre, não descubro nada, Graça, Poeta de traços verbais que enlouqueceriam a Modigliani.

Abraço mutio grande. Cúidese muito por favor.

A.S. disse...

As manhãs da infância
guardavam num sorriso
a plenitude dos dias.
Agora...o sorriso fechou-se
numa moldura triste...


Cidália Ferreira disse...

Magistral...Profundo!
AMEI! 🌹
-
Queria ter o poder da bonança

Feliz dia Mundial para as "nossas" Crianças!
Beijos e uma excelente semana! :)

Ailime disse...

Boa tarde Graça,
Tão belo este poema, quanto a tela de Modigliani
Um rosto "asfixiado na moldura do tempo".
Como ainda há tantas crianças a sofrerem, no corpo e na alma, as agruras da vida.
Um momento poético, reflexivo, que me deixou a pensar neste mundo tão desigual.
Um beijinho e uma boa semana, com saúde, minha Amiga e Enorme Poeta.
Ailime

Maria Emilia B. Teixeira disse...

O tempo não separa a criança do adulto que fomos, sempre teremos um pouco dela dentro de nós.
Bela escrita.
Bom fim de semana. Bjs.

Toninho disse...

Encanto com a menina de azul.
No seu olhar está a imagem espelhada da mulher.
Livro maravilhoso aqui uma generosa partilha.
Boa semana Graça.
Beijo

Luis Eme disse...

Este teu projecto poético com a cumplicidade de Modigliani, é encantador.

abraço Graça

Isa Sá disse...

Bonito poema.

Isabel Sá  
Brilhos da Moda

ManuelFL disse...

Que belo poema para o dia da criança. Apetece trazer a menina para casa e tornar eterna a hora inesperada da inocência.

bea disse...

O certo é que tem o rosto sério das meninas do seu tempo. E os olhos como peixes, que há sempre um aroma aquático no feminino de Modigliani.

Fá menor disse...

Muito belo!
Os tempos andam a asfixiar inocências!

Boa semana, amiga Graça!

Beijinhos.

© Piedade Araújo Sol disse...

Graça

achei a sintonia da imagem com o dia comemorativo da criança e o poema, perfeitas.
a inocência e o tempo que se foi
e nem tudo o que parecia era

gostei bastante!

beijinhos

:)

Mariazita disse...

Excelente homenagem ao Dia da Criança, tanto em "imagem" como (e sobretudo) em palavras.
MUITO BOM!!!

Feliz Terça-feira e uma boa semana.
Beijinhos
MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

https://resultadodaloterias.com.br/vale-cap/ disse...

Achei muito interessante atualmente esta sua postagens. Parabéns!
Vale cap

Os olhares da Gracinha! disse...

A pintura é linda e a Graça captou a essência da mesma!
Gosto muito e obrigada pela visita!!!

Mar Arável disse...

Há meninas assim de todas as cores
mas o teu poema oferece-lhe um brilho nos olhos
Bj

São disse...

Que a menina que foste viva sempre no teu coração!

Grande abraço


:)

Marta Moura disse...

Beijinhos Graça, espero que se encontre bem. 💙

Olinda Melo disse...


O tempo da inocência ou a perda dela,
quando ainda não era tempo. Permanecerá
irrecuperável. E a forma dessa moldura
imprime-se para sempre nas coisas e na
alma.

Belo Poema, querida Graça. Passível
de tantas interpretações quanto o talento
patente na sua construção.

Beijinhos

Olinda

Teresa Almeida disse...

"a hora inesperada da inocência" nunca nos abandona. Pena que, por vezes, fique confinada.

São várias as leituras de um poema com portas abertas e uma moldura fechada.

Gostei imenso.

Beijos, minha amiga Graça.

Teresa Durães disse...

Tão triste, mas lindo! Bj

Agostinho disse...

O drama da turvação do azul

Ainda nos olhos o mar contido
na imensa na inicial mansidão
e num abrupto momento dramático
pelo imperativo ter de ser
(não tem, nunca!) corrompida a menina
Destino? A cor muda para sempre


Muito belo, Amiga Graça.
Um beijo.

solfirmino disse...

Querida, que agonia essa metáfora, 'asfixiado na moldura do tempo'... Será que estamos todos assim? Estou falando literalmente de fotografias. Guardo todas as que posso desde que nasci, minhas e da família. Com a era digital, a facilidade em descartar fotos não me tirou o gosto em imprimir as melhores e guardar. Um dia meu filho e, quem sabe, netos, podem querer saber do meu rosto de menina, do rosto de menino do pai...
Beijo

manuela barroso disse...

Perfeição do tempo ou imperfeição da moldura?
A vida leva e traz de volta . Se não for mais nada , recordações.
Todos os teus poemas merecem uma moldura de verdade, Graça , minha querida amiga!
Terno abraço

Mirtes Stolze. disse...

Boa noite Graça.
Um poema cheio de amor. Lindo. Abençoado mês de junho para vocês. Carinhoso abraço.

Alécio Souza disse...

Olá querida Graça,
A inocência da menina que um dia se perderá pelo tempo!
Achei o poema lindo!
Um beijo!

Jaime Portela disse...

E que saudades da inocência...
Magnífico poema, como sempre.
Querida amiga graça, um bom fim de semana.
Beijo.

Tais Luso de Carvalho disse...

Graça querida, que lindo poema!
Estamos há anos luz da inocência, mas que saudades dá daqueles tempos que ficaram em nós, porém, a criança permanece sempre!
Beijinho, um ótimo fim de semana, amiga.

yonosoymillenium disse...

que bonita esta menina, y tus palabras también son bonitas

Manuel Veiga disse...

imperecível tão belo azul
que resiste à usura do tempo

belíssimo Poema
como bela toda a serie de poemas "Meninas..."

beijo, querida Poeta

Emília Pinto disse...

Já todas fomos meninas, nem sempre de azul, mas todas com a mesma inocência; fomos, muitas de nós " meninas de azul", de azul vestidas e de coração revestido daquele azul celezte em dias ensolarados, azul de mar calmo beijando as areias douradas; todas nós também conhecemos meninas que nem se davam conta da cor do vestidinho que poderia até ser azul, mas todo remendadinho, suginho...um verdadeiro trapinho; tinham no interio uma cor bem mais escura que fazia com que os seus olhinhos, muitos deles azuis cor de mar, nunca brilhassem, a não ser que alguém, mais atento, lhes desse um pãozinho para matar a fome; convivi, bem de perto, com meninas dessas, meninas que hoje são mulheres bem sucedidas, mas que não têm saudades do tempo em que ficavam à espera de um pãozinho; mandava a boa educação que dissessem: " obrigada.., não quero..", mas...conhecendo a necessidade lá ia o pãozinho com um pouquinho de marmelada, coisa simples, mas que, para elas era um manjar. Conversamos muitas vezes sobre isso, eu e essas meninas que sabem que a diferença existente entre nós era o numero de filhos, eles, 10 crianças a sustentar, nós, só dois; senti-me sempre uma menina de azul, porque as bocas a sustentar eram poucas. Amiga, Graça, um belo poema publicado no dia dedicado às crianças, as " de azul", mas principalmente àquelas que vivem numa escuridão tremenda, com fome, com violencia, ouvindo o som de canhões a todo o intante. A cor Azul celeste deveria ser obrigatória para todas as crianças. Beijinhos, Amiga e desejo que estejam todos bem aí em casa
Emilia

silvioafonso disse...

O meu também, poeta. O meu também.
Beijos e, que bela poesia, hein!
Sou seu fã.

teresa p. disse...

Em que esquina do tempo ficou o vestido azul da inocência?
Gostei muito do poema.
Beijo.

Diná Fernandes disse...

Que lindo e soberbo poemeto. Graça seus versos são puro encantamento. Desejo adquirir seu livro lançado recentemente. Se puder passe-me o link.

Tenha um bom dia!

https://poetandojuntosemisturados.blogspot.com.br

Bjss!

Ana Freire disse...

Ainda gosto de conservar uma pontinha dessa inocência... que por vezes me leva a decepcionar um pouco mais... mas o que é que seria da vida... se alguma vez se perdesse por completo, o elemento surpresa?... Ainda gosto de pensar, que a vida nos vai reservando surpresas boas, de quando em vez... aqui e além... e são elas, que acabam por ir dando sentido a tudo o mais... ainda vou crendo nas pessoas... ainda vou crendo, que vai havendo boas excepções, em sistemáticas regras... que não conduzem a nada de bom...
Adorei esta moldura de vida... tão bem traçada... pelas seu poético, profundo e especial sentir, Graça!...
Um beijinho grande!
Ana

lis disse...

As meninas de azul já estão multicoloridas,
e a inocência 'emoldurada'...
Belo poema Graça, sempre!
meu abraço

Anete disse...

Você poetiza, Graça, com reflexões fortes e profundas da vida. A infância é uma época marcante... Quantos reflexos nós adultos trazemos das "cores passadas"!
Com carinho...

baili disse...

Outstanding poetry

Marvellous pick from others harvest dear Grace

I think I'm the lap of time we grow while holding hand of life
Experience ,observations is teacher emotions are okay fellow

Every thing polish our personality sometimes for better sometime for worse depends totally on innocence we preserved inside
Innocence a beauty of soul and worth preventing from worldly pollution

Ana Tapadas disse...

A inocência ainda habita em muitos olhares...como o teu quando olhas a menina.

beijo de boa noite.

anamar disse...

Poemar a vida .
Es uma alma grande.
Abracinho

Micaela Santos disse...

Tudo parece perfeito!
Mas nem tudo o que parece é!

Gostei muito,
Beijinhos

Carlos Augusto Pereyra Martínez disse...

La felicidad no se reparte por igual. Hermoso poema. Un abrazo. Carlos