15.12.25

Interação Fraterna de Natal 2025

 A convite da Amiga Rosélia aqui deixo a minha participação,  nesta fraterna interacão de Natal



História de amor


Na sagração da noite
um espanto a oscilar no ar
recolheu o vento
sossegou as águas
calou o alvoroço dos pássaros.
Era gritante o silêncio.
Só uma música sublime
se ouvia por toda a parte
como um coro de estrelas
ou um aceno de amor.
Com a luz declinada no olhar
revivemos o milagre antigo anunciado:
a nascença de um Menino
para não morrermos sem redenção.

Graça Pires

 


Que a estrela de Natal venha anunciar a paz 

e acabe com a guerra, com o sofrimento, com a fome no mundo.

Que brilhe na nossa vida.

Que nos traga saúde e conforto.



BOM NATAL. BOM ANO 2026

UM ABRAÇO PARA TODOS.
                                                               
                                                                                                              
Voltarei para o ano.

8.12.25

Em seara alheia

 




LITURGIA

 

Quando tento escutar o tempo
que está adiante
e mesmo antes de todo o tempo,
o futuro faz silêncio absoluto.
Sei que chegará a época de cruz e castigo,
mas antes, escuta...

Esquece os pecados hereditários.
É chegada a hora.
Pronuncia palavras sublimes,
para que teu espírito se eleve.
Estende as mãos
àqueles que pedem por tais atos.

Promete que viva entre todos esta canção:
O chão de palha do presépio
anuncia as boas-novas.
Observo a manjedoura
e penso na bênção do milagre.
Então, atravessa-me o tempo.
Presente e futuro unem-se
como uma evocação.
Percebo que somos mais amor que temor.

E, tão inédita como música nunca ouvida,
tão antiga quanto uma prece,
tão certo como um relógio moderno,
eis que chega mais um Natal.

Solange Firmino
In: Numa rua completamente às escuras movem-se  estes versos. Lisboa: 2025, 174

1.12.25

O poeta chorou


Gabriel Pacheco
                           



Diante do mar mediterrâneo
o poeta chorou.
E em nome das águas
nos acusa de mortes
de exílios de orfandades
de limos de sangue
a cercar os barcos
de areias magoadas
pelos naufrágios.
Quem poderá omitir
a indiferença dos dias
traídos em cada pátria?

Graça Pires
De Talvez haja amoras maduras à entrada da noite, 2025, p. 33