onde aceito todas as crenças
como um sacramento,
procuro uma harmonia
expressa na promessa
de reaprender as preces
de uma fé antiga, com o timbre
espiritual de um culto.
Participo na procissão
de peregrinos exaustos.
De joelhos dobrados,
levanto a taça
de todos os sacrifícios,
de todos os sacrifícios,
em oferenda aos deuses,
repetindo hinos litúrgicos
em festividade pagã,
transportando na voz
o fulgor dos crentes.
Deixo que o incenso
Deixo que o incenso
me cubra a cara
e embacie meus olhos.
Imersa na meditação,
e embacie meus olhos.
Imersa na meditação,
entro na obscuridade
que a cólera dos deuses
que a cólera dos deuses
arremessa ao meu perfil,
quando a inutilidade
de quase tudo me rodeia.
Uma súplica, uma dor,
Uma súplica, uma dor,
tornam de lodo as minhas mãos
presas ao instinto de um destino
refeito em forma de labirinto,
onde procuro a saída
para uma eternidade feita
de ínfimos momentos.
Há desvios subterrâneos onde me perco.
Há em minha boca uma parábola de sangue,
como um castigo, ou uma cruz,
Há desvios subterrâneos onde me perco.
Há em minha boca uma parábola de sangue,
como um castigo, ou uma cruz,
ou uma absolvição.
Graça Pires
De Antígona passou por aqui, 2021, p. 87
Desejo a todas as minhas Amigas e a todos os meus amigos uma Páscoa com Amor, saúde e Paz

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