Ana Pires
Voltamos sempre à casa de campo.
Quando não
estamos as plantas
crescem de modo irregular e o pó
acumula-se nos móveis e nos
livros.
Não importa.
Nós voltamos apenas para regar a sede,
beber a terra,
colher a paisagem,
mastigar o silêncio, partilhar a fome
e tornar depois a ir
embora
com o corpo a doer da própria ausência.
Graça Pires
De Caderno de significados, 2013































