29.9.25

A luz das açucenas



No impulso da manhã,
o nevoeiro esfarrapa-se
sobre os arbustos,
incerto e sem peso.
É o momento em que o olhar
não tolera a luz que incide
sobre branquíssimas açucenas.
Digo pétala, e o perfume de cada flor
estremece no olfacto
como um sismo brando,
com réplicas no chão flexível
que me prende e torna urgentes
os caminhos repetidamente pisados.

Graça Pires
De Antígona passou por aqui, 2022, p. 48


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