26.9.26

Sou a que fica em terra

 

                                                            António Cravo




Sou a que fica em terra
à espera dele

a que trabalha desde que as pernas
suportam o corpo
até que o corpo as não sinta

Sou a que grita
quando o mar está bravo
o barco sobe na crista da onda
o arrais

bota! bota! bota!

sou a que se faz ouvir no nevoeiro
dizendo que a terra é aqui

António Cravo
In: Este é o meu infantário. Figueira da Foz, 2026, p. 22

12.9.26

Meninos com gula

 


De mãos dadas
como se fossemos
meninos com gula
íamos pelos taludes
à procura de amoras.
A deflagração da luz
a prumo na estiagem
aquentava-nos o corpo de prazer.
O suco das amoras
aliciava a ferocidade dos dentes.
Vamos de novo amor
antes que sequem no coração
as amoras da juventude.

Graça Pires
De Talvez haja amoras maduras à entrada da noite, 2025, p. 16

Minhas amigas e meus amigos: O meu blog teve um problema e perdi todos os nomes dos blogs que eu sigo. Com paciência consegui recuperar um a um, mas só os das pessoas que me costumam comentar. Podem faltar alguns que acrescentarei. Peço desculpa e agradeço a compreensão.