Seleccionar o ângulo de um rosto, sem lhe macular a luz, como se, a meia voz, pudéssemos reter os múltiplos reflexos do júbilo e das mágoas.
30.4.23
Em faces sombrias
William Klein
Estão cheias de gente
as ruas por onde caminho e me demoro.
Procuro uma senda de lágrimas
em faces sombrias, para desviar
até ao lado mais esquivo do peito
o curso do rio onde flutua
a sombra do navio nocturno
que transporta a antiquíssima
inocência dos meus olhos.
Nas margens da noite, suspendo
as mais profundas razões da memória
para esquecer os momentos
em que me doeu a desmedida
desordem do passado.
Por isso, conheço o fio invisível
que percorre o interior da treva
onde se protegem os girassóis
privados do alvoroço da luz
e os pássaros esmorecidos
por não tocarem as nuvens.
Graça Pires
De Antígona passou por aqui, 2021, p.17
24.4.23
Liberdade, liberdade!
Luísa Henriques
Depois do adeus
- que é palavra que dói como uma espada-
alforriada a noite abriu-se sem pudor ao rio à seiva.
E foi um universo inteiro a abrir-se ao lume e à palavra.
Vieram aos milhares os filhos da madrugada
anunciando ao mundo outra canção.
E de repente, tanto azul, tanto mar aqui e além-mar.
Os barcos desenharam novas rotas
e até os pássaros enlouquecidos pressentiram a mudança
nesse infinito ainda por navegar.
As mães abraçaram os filhos
uma pedra floriu, um cravo sangrou na espingarda
era a vida como um beijo a ser cumprida
sem roleta, sem o medo acantonado a cada esquina.
Não há em verdade nada que apague este rigor no sangue
este clamor de claridade
esta vontade de gritar além do sol: liberdade, liberdade.!
Luísa Henriques, Abril 2023
17.4.23
Múltiplas mortes
que me naufragam no peito
enrouquecida que fico
se um rumor azul
deixa de alagar a minha voz.
Mas demando o sinistro equívoco
que inventa todas as fugas
para se morrer de múltiplas mortes
a fugir da morte
em margens que o mundo renega.
Qual o som do mar me questiono
qual o som do mar tão saturado de mortos?
Que sinos soarão por eles?
Quem fará a oração o sinal da cruz o requiem?
Guardo dentro de mim ondas alteradas
como gritos silabando a luz aflita
cravada na retina de olhos extenuados.
Graça Pires
De O improviso de viver, 2023, p. 57
10.4.23
Sensações de um dia claro
Silena Lambertini
Amanheceu.
A janela do quarto inclina-se
sobre o milagre da paisagem.
Acordei festiva
sem recear
a singularidade
efémera da existência.
Detenho no alcance das mãos
a precisão abstracta de cada recomeço.
Semelhante à força de águas imensas
na confluência de rios
hoje serei a corrente e a foz.
Qualquer barco me devolverá a infância.
Graça Pires
De O improviso de viver, 2023, p. 9
Se desejarem ouvir o poema e ver o vídeo da Ana podem fazê-lo aqui:
https://youtu.be/bHEp5bPHaOA
3.4.23
Em seara alheia
Sabes lá o que custa guardar a memória.
Decompor o riso e esquecer. Empacotar
toda a alegria numa caixa frágil de cartão,
levá-la nas mãos trémulas até à cave mais
escura. Descer as escadas velhas, falhar
um degrau e cair. Ver a coragem a saltar
do corpo, na queda. Ouvir o som que faz
o riso, ao partir-se. Procurar os pedaços,
perder os olhos abertos no chão,
perder o chão, perder o andar.
Sabes lá o que custa.
Virgínia do Carmo
In: A menina que aprendeu a matar centopeias e outros poemas. Lisboa: Poética, 2023,
p. 17
26.3.23
Mãe
Laura Makabresku
Porque hoje seria o aniversário da minha Mãe
daquela flor que dentro das tuas mãos
se fez terra e seiva ferimento e luz.
Agora mãe os pássaros vêm beber
nos meus olhos as lágrimas tão raras
que consentiste nos teus olhos
habituados a um rio interior preso no peito
onde banhaste os filhos para que soubessem
a origem redentora das águas.
Graça Pires
De O improviso de viver, 2023, p. 35
19.3.23
Um poema para o Dia Mundial da Poesia
A convite da Amiga Rosélia aqui deixo a minha participação
uma insubmissa escrita teima
na promessa de um poema
com sílabas luminosas.
Escrevo silenciosos vocábulos,
agora que a poesia se detém
no fingimento de entrelinhas,
soletrando a febre nos lábios.
Podem dizer de mim
que nunca me cansei das palavras
porque foi com elas que me aprendi inteira.
Graça Pires
De Antígona passou por aqui, 2021, p. 56
12.3.23
CONVITE - O IMPROVISO DE VIVER
Foi uma festa de Poesia muito bonita. Muito obrigada a todas e a todos os que estiveram lá. Obrigada aos que quiseram ir mas não puderam. Foi um final de tarde feliz. Bem-hajam.
Às minha Amigas e aos meus Amigos, a todos os que gostam da minha poesia convido para a partilha desta minha festa.
Deixo um poema do livro:
Houve
quem dissesse que voava
sobre
a casa onde nasceu para ver o mar.
Causava
estranheza o intenso brilho
a
demorar-se-lhe no olhar
no
instante poente dos fins de tarde.
Todos
falavam disso.
Nem
uma palavra foi dita sobre o bando de aves
que
sobrevoava a casa em voo brando
com
cristais-de-rocha no esquisso das penas.
Graça Pires
6.3.23
Pandora
Walter Crane
Divina e humana.
Estratagema de zeus para ser perverso,
no tempo em que os homens
e os deuses se divertiam juntos.
Era irrelevante acorrentar-lhe os pulsos.
Suas mãos eram aves
ansiosas de voos ousados.
Os ventos, deslumbrados,
soltaram a luz e a sombra
em seus dedos
que, sem pudor,
destaparam o vaso da inocência.
A palavra culpada enroscou-se-lhe
no corpo como um estigma sem fim.
E apenas bem no fundo dos seus olhos
permaneceu, para sempre, a esperança
de ser salva ou de salvar.
Graça Pires
De A solidão é como o vento, 2020, p. 30
Apesar de se tratar de um mito esta é a minha homenagem a todas as mulheres.
27.2.23
Procuro o lugar onde começa o silêncio
William Turner
O silêncio das montanhas azuis,
da neve, das planícies eternas,
das glicínias, do vinho maduro,
da música de schubert,
do coração dos pássaros,
da fulguração da alba,
dos crepúsculos de william turner,
das sombras, dos retratos,
das abelhas entontecidas de pólen.
Graça Pires
De Antígona passou por aqui, 2021, p. 60
20.2.23
Em seara alheia
em que a palavra amor,
imensa de promessas,
morava na boca dos poetas.
Houve um tempo
em que o pranto habitava
o olhar das mulheres com a ruína na voz.
Houve um tempo
em que as pedras
tinham o rebordo da morte.
Carmo Baião
In: Sabemos que as pedras têm alma. Carnaxide: Cordel d'Prata, 2022, p. 15
13.2.23
Na véspera dos segredos
Laura Makabresku
entranhados na carne e no sangue
na véspera dos segredos.
Não esqueço as noites
em que o desejo doía tanto
quanto a incontida alegria
de um abraço.
Intermitente, o coração
procura no amor o batimento certo.
Graça Pires
De Antígona passou por aqui, 2021
6.2.23
Perto da criação do mundo
Ana Pires Livramento
Para a minha irmã Teresa e para o meu irmão Zé Pires
Era a quinta dos avós.
Nós eramos crianças
e subíamos às figueiras.
As pernas aprendiam o equilíbrio.
A vertigem da queda a oscilar no corpo.
Chegávamos aos frutos pelo cheiro.
A boca antes das mãos a lamber o mel.
A respiração tão apressada
como um tumulto de pássaros.
Num jogo para lá do tempo.
Perto da criação do mundo.
Graça Pires
Do livro O improviso de viver, a ser publicado em março deste ano.
30.1.23
Para que a verdade se mostre inteira
Katia Chausheva
por dentro dos sentidos
e desenha um espaço sagrado
anterior a um horizonte esvaído no olhar.
Cerro os olhos
para que a verdade se mostre inteira.
Quero o código secreto do encantamento
que a memória guarda.
Quero o pórtico litúrgico
atravessado por antígona
com a precisão e o decoro
de quem se reivindica
herdeira da luz e das sombras ancestrais,
de quem atenua a distância entre o grito
e o silêncio de uma desarmonia interior.
Fantasmas exigem, em uníssono,
o sangue inocente.
Ai, a fragilidade da vida na ara dos sacrifícios!
Ai, o puro instante de um nome fraterno
abrasando a alma!
Ai, a coragem aflita desta punição indefesa!
Graça Pires
De Antígona passou por aqui, 2021, p. 32
23.1.23
Estão a caminho do mar
Henri Cartier-Bresson
as mulheres vestidas de luto.
Souberam da tormenta
pela imensa salinidade dos lábios.
Têm uma quilha enterrada no peito.
E querem ser aves de sal e vento.
E vão, dizem, acender as estrelas
que guiam os marinheiros
na aflição
das noites intermináveis.
O destemor tão perto da loucura!
Graça Pires
De A solidão é como o vento, 2020, p.39
Se alguém quiser ouvir o poema dito pela minha filha Ana pode fazê-lo aqui:
https://youtu.be/Z3CngT426fk
16.1.23
Ajoelho-me na terra
Katia Chausheva
Perto do chão há gritos aferrados à vida e à morte.
Há partos e perdas dolorosas.
Há o urgente fôlego de cada nascente junto às pedras
com nervuras de erosão e luz
a depurar o reflexo da água.
Há flores e bichos.
Há raízes de árvores e de plantas e musgo
e alfazema e cardos e fenos.
Há campos repousando do cansaço da terra.
Perto do chão onde me ajoelho,
há o reino subterrâneo da noite
em conflito tenso com o dia,
numa dialéctica posta à prova por olhares videntes.
Graça Pires
De Antígona passou por aqui, 2021, p. 27
9.1.23
Em seara alheia
Litorânea II
As ondas revolvem os barcos dispersados pelo vento
para possíveis futuros
(todos breves momentos).
Ela ouve as sereias que não cantam, apenas cochicham.
O mar será eternamente uma grandeza que a desarma.
Na maré, um pássaro morre,
no momento em que outro voa
em direção ao horizonte frágil.
Involuntariamente, na sua distância, este recebe o verão.
O encontro desses dois infinitos que se esbarram
na troca de estações, cruzam entre si espectros
que nunca se tocarão no tempo.
O mesmo tempo que captura as rugas
sob o sol cada vez mais voraz,
enquanto a juventude se esvai
diante dos olhos.
Solange Firmino
Nov. 2022
2.1.23
Apetece entoar o Magnificat
Silena Lambertini
que apetece entoar o magnificat com a mais cristalina voz,
em devoção, em perplexidade, em agradecimento.
A quem o louvor? A que prenúncio de alvorada?
A que rumor festivo? A que invisível mão?
Eu sei que um fogo divino contém todos os mistérios,
todos os sacrifícios, todos os milagres,
todos os castigos, todos os bálsamos.
Eu creio na redenção dos que amam a vida
e sonham, e sonhando se salvam.
Graça Pires
De Antígona passou por aqui, 2021, p. 68
19.12.22
Natal e não dezembro
Ana Pires Livramento
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio,
no prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos, e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.
Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave...
Entremos, despojados, mas entremos.
Das mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não dezembro,
talvez universal a consoada.
David Mourão-Ferreira
In: Cancioneiro de Natal, 1971
Quem desejar ouvir o poema com a voz e a música do Pedro e ver o vídeo da Ana pode fazê-lo aqui:
https://youtu.be/0uskE-5TLeo
12.12.22
Interação Fraterna de Natal 2022
A convite da Amiga Rosélia Bezerra aqui deixo a minha participação nesta fraterna interação de Natal.
Todos os anos esperamos por ti, Menino do Presépio.
Estremecidamente. Sempre em dezembro.
Sempre tão perto do coração.
Vem, neste Natal, fazer-nos companhia
e traz no teu olhar a inocência
que todos tivemos no olhar
quando éramos crianças e te esperávamos.
Estremecidamente.
Sempre em dezembro.
Sempre tão perto do coração.
em todo o mundo.
Que a luz da vida habite os nossos corações.
Que o ano 2023 nos traga saúde e amor.
Graça Pires
5.12.22
Assombro-me da paisagem
Hengki Koentjoro
Assombro-me da paisagem.
Deixo que as palavras cedam inteiramente
ao indizível subterrâneo da paixão.
Com um alarido preso à boca, leio os poetas
das palavras claras e quebro
no interior das pálpebras
os versos mais cúmplices.
Semelhante a um primitivo nómada,
guardo comigo o fogo da poesia,
para que nunca se extinga
e me seja confissão e esconderijo.
Graça Pires
De Antígona passou por aqui, 2021, p. 52
28.11.22
Em seara alheia
Neste dia de coração com leme
as marés consomem a esperança dos barcos.
As mulheres observam, silenciosas
o rumor urgente do mar.
Enchem o olhar da luz golpeada dos peixes
que emergem como quilhas.
- É tão longo e ouvinte o seu olhar
a decifrar as ondas.
O poema fala a voz dos marinheiros
Reconstrói-se, lágrima a lágrima
como a noite que lhes segura os ombros.
Lentamente como se escutassem a voz de um filho
retornam a casa e aconchegam ao corpo
o voo agitado das gaivotas.
Luísa Henriques
Novembro 2022
21.11.22
Neste flagrante momento da memória
Ilya Kisaradov
recordo o teu vestido branco
estampado de malmequeres.
O dia abria-se sempre inteiro no teu corpo,
onde a adolescência ainda breve te concedia
a leveza das crianças e dos pássaros.
Sei que é primavera quando os teus cabelos
esvoaçam no desalinho da lembrança
e o grito das flores irrompe das árvores
em que balouçavas com alegria.
Sei o teu nome porque danças sobre o meu nome.
Sei onde moras porque o coração estremece
quando te pressinto.
Graça Pires
De Antígona passou por aqui, 2021, p. 16
14.11.22
Quando anoitecia
Francesca Woodman
a sombra do corpo roçava
a imprecisão da rua
e as pedras entoavam
seus passos agitados
pelas esquinas.
Quase em fuga,
não reconhecia o seu rosto,
atenta que ficava ao ranger
das portas que se abriam.
Por entre a multidão,
ela suspendia nos cabelos
o percurso da lua cheia.
Por isso os morcegos
e os homens a seguiam.
Graça Pires
De A solidão é como o vento, 2020, p.32
Quem desejar ouvir o poema dito pelo Pedro pode fazê-lo aqui:
https://youtu.be/4CNAZjY_Y-Y
7.11.22
Memórias de Isadora XXI
na costa azul de frança.
Recordo o uivo dos cães, o cantar dos melros,
o quebranto que me tolhia os dedos,
as folhas do outono terrivelmente belas.
Meus olhos procuravam e achavam
uma fatalidade qualquer.
Como uma premonição,
um acto sacrificial,
um chão movediço.
Pelas sombras possuída
procurava o inacabado gesto
de aprisionar a luz em meu olhar,
quando cobri meus ombros
com o xaile vermelho
para enfeitar a vida,
agora em mim tão extenuada.
Os sons que se ouviam
eram de um tempo
nunca mais lembrado,
nunca mais esquecido.
Os cavalos, gritando,
vieram no seu trote.
De meu brilho se tomaram.
Cavalgaram as ruínas do meu peito
e meu silêncio sustiveram na garganta.
O coração, tão breve,
ficou suspenso
por uma névoa
que, num instante, se dissipou.
Devagar bailando.
Devagar morrendo.
Graça Pires
De Jogo sensual no chão do peito, 2020, p. 53-54
31.10.22
Em seara alheia
A infância,
um bouquet de colmeias no peito
e o sangue desenhado por Miró.
Alberto Pereira
In: Ecocardiodrama. Vila Nova de Famalicão: Húmus, 2022, p. 33
24.10.22
Quando a chuva se anuncia
já não há andorinhas esvoaçando pelas casas
nem se distinguem as dunas
onde me deitei no mês das uvas.
Na raiz de cada árvore começa a germinar
a sede inicial agasalhada pela terra,
em respiração lenta.
As janelas fechadas provocam uma singular estreiteza,
uma impressão vacilante nas mãos instáveis
dos meninos e dos homens.
Só as mulheres possuem a conivência das águas.
Graça Pires
De Antígona passou por aqui, 2021, p. 35
17.10.22
Tempos houve em que pintava
Christine Ellger
com obsessão, paisagens amarelas.
Folheando a sua revista favorita
leu que uma estranha doença
atingira todos os girassóis.
Sentiu-se culpado.
Quando voltou a pintar
escolheu a cor negra.
Um esbatimento de luz
anunciou a interdição do brilho
em seu olhar, para sempre incerto.
Graça Pires
De A solidão é como o vento, 2020, p. 15
10.10.22
Memórias de Isadora XX
o inesperado aroma
das árvores da infância e a humidade
do nevoeiro a entranhar-se-me nos ossos.
Nos sabores, que à boca concedi,
interroguei os mares, iludi distâncias
e sobre o tempo saltei sem dar por isso.
Indefesa me senti dos incontáveis
artifícios da idade.
Sobre mim se estreitava, eu pressentia,
uma morte inescapável.
Por capricho dos deuses
nada é perene, nada sobrevive
à implacável raiz que a terra exige.
Nada resiste às leis que a própria vida impõe.
Recolhida na resguardada luz
dos poentes convergia e afastava
as sombras como uma prece.
Pelas concavidades da noite
ouvia tocar os sinos da igreja
e era como se um veneno
me alagasse inteira.
Graça Pires
De Jogo sensual no chão do peito, 2020, p.52
3.10.22
Em seara alheia
Dizem que a palavra morre
Quando é dita
Num qualquer dia.
Eu digo que a palavra
Só começa a viver
Nesse dia.
Emily Dickinson
In: Versos traídos: antologia de poesia traduzida por Carlos Campos. Lisboa: Edição de autor, 2022, p. 41
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