é do barro que moldo a primeira palavra
à noite pelos atalhos
vou colhendo das sebes e das trepadeiras
vocábulos incomuns
e outros simples
como os que dizem as crianças
quando brincam sozinhas às princesas
enquanto na ampulheta
o sobressalto da areia vai desenhando trajetórias vãs
deixo o poema na mesa a levedar
mas
meu amor
será para ti a primeira fatia.
vou colhendo das sebes e das trepadeiras
vocábulos incomuns
e outros simples
como os que dizem as crianças
quando brincam sozinhas às princesas
enquanto na ampulheta
o sobressalto da areia vai desenhando trajetórias vãs
deixo o poema na mesa a levedar
mas
meu amor
será para ti a primeira fatia.
Teresa Alvarez
In: A luz breve das rosas, 2025, p. 157

6 comentários:
Teresa: No evento “Aqui vai livre” foi a mim que me calhou este teu livro. Fiquei muito contente porque já tinha ouvido alguns poemas ditos pelo António Cravo e fiquei com vontade de o adquirir. É um livro muito belo. Parabéns. Li e reli o livro. A cada poema mais gostei. Obrigada. Um beijo.
Beautiful blog
Please read my post
Lindo demais,Graça! Belo poema ! beijos, ótimo dia! chica
Que belíssima escolha!
Grata por nos mostrar.
Beijinhos tudo de bom!
Boa tarde Amiga Graça
Este poema revela a poesia como um gesto de criação paciente e íntimo. A voz poética recolhe palavras da natureza e da inocência da infância, amassando-as como quem trabalha o barro ou prepara o pão.
Entre o tempo que escorre na ampulheta e a espera necessária da escrita, o poema cresce e ganha forma. O desfecho, delicado e afectuoso, transforma a criação literária numa oferta de amor, reservando ao destinatário a "primeira fatia" desse pão-poema acabado de nascer.
Entre o barro das palavras e o fermento do afeto, a poesia encontra o seu mais belo alimento.
Um belo poema e uma boa partilha .
Semana Feliz com saúde e paz.
:)
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