12.9.26

Meninos com gula

 


De mãos dadas
como se fossemos
meninos com gula
íamos pelos taludes
à procura de amoras.
A deflagração da luz
a prumo na estiagem
aquentava-nos o corpo de prazer.
O suco das amoras
aliciava a ferocidade dos dentes.
Vamos de novo amor
antes que sequem no coração
as amoras da juventude.

Graça Pires
De Talvez haja amoras maduras à entrada da noite, 2025, p. 16

Minhas amigas e meus amigos: O meu blog teve um problema e perdi todos os nomes dos blogs que eu sigo. Com paciência consegui recuperar um a um, mas só os das pessoas que me costumam comentar. Podem faltar alguns que acrescentarei. Peço desculpa e agradeço a compreensão.


11 comentários:

chica disse...

Quem nunca colgeu amoras assim como essa mão da foto? Lindo!
Que pena esse problema com teu blog!
Tomara aos poucos recuperes tudo!
beijos, lindo fim de semana! chica

Sonya Muyllaert disse...

Belíssima metáfora nesse poema onde o tempo segue deixando rastros de um viver. Luz e paz. Um ótimo final de semana. ♥

Larissa Pereira dos Santos disse...

Poema belíssimo
Gostei imenso
Ainda mais que amo amoras
Abraços

Luiz Gomes disse...

Boa tarde minha querida amiga e poeta Graça. Obrigado pela visita e comentário sobre o Vik Muniz. Gosto muito de amora e já comi até geleia. Uma excelente tarde de sábado, para você e todos os seus familiares em Portugal, bom final de semana e um grande abraço do seu amigo carioca.

São disse...

O blogger anda desatinado de todo, realmente.

Belo poema assim como a foto!

Minha Amiga, caloroso abraço e tudo de bom :)

© Piedade Araújo Sol (Pity) disse...

Boa tarde Amiga Graça
Um poema de uma delicadeza luminosa, onde a memória do amor se confunde com a memória da juventude. «De mãos dadas» conduz-nos por taludes cobertos de amoras, num regresso quase inocente à infância, mas onde a inocência rapidamente se deixa tocar pelo desejo.
As amoras tornam-se, assim, muito mais do que fruto: são sabor, corpo, prazer, urgência e tempo. A «ferocidade dos dentes» contrasta maravilhosamente com a ternura das mãos dadas, criando uma sensualidade contida, mas intensamente viva.
E há, sobretudo, esse belo apelo final: «Vamos de novo amor», como se ainda fosse possível regressar ao instante em que tudo ardia de juventude, antes que sequem no coração «as amoras da juventude». Um poema que celebra o amor e, ao mesmo tempo, nos lembra da sua fragilidade perante a passagem do tempo.
A Autora oferece-nos, uma vez mais, uma poesia de grande sensibilidade, onde a simplicidade das imagens esconde uma profunda reflexão sobre o desejo, a memória e a inexorável passagem da vida.
Belíssimo trabalho poético.
Bom fim-de-semana
:)
PS: Também não sei que se passa com o bloguer, anda todo desgovernado, devem ser algumas actualizações.

Laura. M disse...

Se merecen estos versos. Me encantan las moras.
Buen fin de semana.
Un abrazo.

Maria Luiza disse...

Graça, realmente o Blogger deu uma desatinada também no meu, mas por falar em amoras, minha filha e minha neta descobriram um pé muito carregado delas, cujos galhos até pendiam. As fotos delas em deslumbramento, ficaram lindas e belo demais ficou o seu poema e foto! Espero que logo possa recuperá-lo direitinho! Beijo!

partilha de silêncios disse...

Belo poema, viajei até a minha infância, quando também eu ia apanhar as amoras, belos tempos. Vi que teve problemas com o blog, por aqui também há algumas anomalias.
Um fim de semana feliz.
bjs

Marco Luijken disse...

Hello Graça,
Nice words about the blackberries.
It's a delicious time of the year with many fresh fruit.

Many greetings,
Marco

Ivana Split disse...

Wonderful poem!
I love blackberries!