26.9.26

Sou a que fica em terra

 

                                                            António Cravo




Sou a que fica em terra
à espera dele

a que trabalha desde que as pernas
suportam o corpo
até que o corpo as não sinta

Sou a que grita
quando o mar está bravo
o barco sobe na crista da onda
o arrais

bota! bota! bota!

sou a que se faz ouvir no nevoeiro
dizendo que a terra é aqui

António Cravo
In: Este é o meu infantário. Figueira da Foz, 2026, p. 22

52 comentários:

chica disse...

Lindíssima poesia e sempre importante que alguém fique em terra...
beijos, ótimo fds! chica

ruma disse...

A terra é como uma mãe, e o pequeno barco é como uma criança.
Todos precisam de um lugar para onde voltar.
Saudações e palavras de agradecimento.

Luiz Gomes disse...

Boa tarde minha querida amiga Graça. Parabéns, por nos trazer essa bela poesia. Obrigado pela visita e comentário. Uma excelente tarde de sábado, bom final de semana, para você e todos os seus familiares em Portugal e um grande abraço do seu amigo carioca.

ManuelFL disse...

Meu caro António Cravo, adorei o teu poema e fiquei deslumbrado com a fotografia da mulher que também me emocionou.
Abraço

Emília Simões disse...

Boa tarde Graça,
Um poema muito belo que encerra o drama, de quem fica em terra, tentando dar orientações para que a faina ocorra sem percalços.
A pesca, um trabalho duro e de risco!
Beijinhos e um fim de semana muito abencoado, minha Amiga e Generosa Poeta.
Emília

Carlos Augusto Pereyra Martínez disse...

La espera es más estresante, a la orilla del mar, mientras la nave avanza con el amor u otro sentimiento, que abre heridas con su ida, en el corazón. Un abrazo. Carlos

São disse...

A foto e o poema , de que gostei muito, trouxeram-me à memória " Uma Fenda na Muralha" de Alves Redol.

Minha Amiga, que te seja bom o resto de Setembro.

Carinhoso abraço :)

brancas nuvens negras disse...

Brilhante. As mulheres a quem o mar faz sofrer.
Boa semana.
Um abraço.

J.P. Alexander disse...

Me gusto mucho tu poema. Es muy triste y melancólico. Te mando un beso.

Toninho disse...

Quem fica na terra, fica com o coração nas mãos.
O olhar cada vez mais distante, até sumir na imensidão.
O mar que se eleva, o barco que avança.
Na terra fica quem se alimenta de esperança.
Um triste canto em poesia.
Uma bela partilha.
Bom domingo de feliz semana amiga.
Bjs de paz.

Roselia Bezerra disse...

Amiga Graça, boa noite de sábado!
Sempre se há que ter os pés no chão.
Alguém precisa de nós...
Tenha um final de semana abençoado!
Beijinhos fraternos

bea disse...

Bonito poema a Graça nos trouxe de mais um colega poeta.
Penso nas mulheres. E até nos homens; talvez pense apenas no ser humano.
Quantos de nós, e quantas vezes, ficam em terra ou ficaram - com o coração nas mãos, gritando sem voz, "estou aqui". Quando os filhos seguem o seu caminho; os pais e amigos partem; os amores se desfazem ou impossibilitam. É da vida: precisamos firmeza para ficar e continuar sendo lugar de terra segura - haverá os que, irremediáveis, se perdem de nós; alguns voltarão em carne viva, outros só por amor, outros nos acompanham sempre na lembrança porque já outro caminho não têm para se achegarem.
Também isto é pulsação.
Um abraço, Graça. É sempre um gosto ler as suas escolhas delicadas.

Lucinalva disse...

Bom dia, Graça
Lindo poema! A vida no mar tem suas dificuldades, porém a mulher permanece trabalhando e aguardando com paciência. Um forte abraço.

Lucinalva disse...

Obrigada pelas felicitações, beijos, querida.

baili disse...

oh this is so heavy as my heart felt melted under it's burden !
your words are powerful ,deep and carry pain of of tron souls and broken hearts ,my tears feel worthless before them ,salute !!!!
hugs and best wishes!

Marco Luijken disse...

Hello Graça,
Wonderful words. Very nice.
Funny picture.

Many greetings,
Marco

Mário Margaride disse...

Olá, amiga Graça.
Poema muito bonito aqui partilha. A solidariedade é um tesouro que nunca deve faltar ao ser humano. Gostei bastante.

Deixo os votos de um bom fim de domingo, e uma ótima semana.

Beijinhos, com carinho e amizade.

Mário Margaride

http://poesiaaquiesta.blogspot.com
https://soltaastuaspalavras.blogspot.com

Cidália Ferreira disse...

Excelente poema! Obrigada :)
-
Coisas de uma Vida....
-
Beijos
Boa semana

Olinda Melo disse...

Querida Graça
O drama das mulheres que ficam em terra, olhando o mar, enquanto
os seus companheiros labutam no mar.
Tive uma colega que perdeu familiares nessas batalhas.
Um poema prenhe de dor e sofrimento, que avalio muitíssimo.
Parabéns a António Cravo.
Beijinhos
Olinda

SILO LÍRICO - Poemas, Contos, Crônicas e outros textos literários. disse...

Um cravo no bravo mar que vê a mulher na praia,
À espera, de atalaia de quem saiu a pescar.
Graça Pires, em lugar da angústia e aflição,
Busca a doce fruição colhendo amoras no horto,
Na paz, com todo conforto à sua satisfação.

Belos poemas, prezada amiga. Parabéns. Abraço fraterno

Alécio Souza disse...

Querida amiga Graça,
É tão bom quando temos alguém mesmo que ao longe cuidando e aguardando o nosso retorno. As partidas não são fáceis, mas saber que alguém nos espera é reconfortante.
Um beijo!

Modrina Neba disse...

Bravo... nem toda a gente sabe manter os pés no chão!
Saudações de segunda-feira da minha Eslovénia, Andreja!

jean marie 14 disse...

bonjour il est triste mais beau ton poème passe un bon lundi biz

Klaudia Zuberska disse...

Beautiful poetry that touches the heart. Truly great writing talent.

Isa Sá disse...

Mais um bonito poema. Tenha uma ótima semana!
Isabel Sá
Brilhos da Moda

Marta Vinhais disse...

A angústia de quem fica em terra...o grito escondido na alma...
Lindo e a foto é muito bela.
Beijos e abraços
Marta

Jaime Portela disse...

Um poema magnífico.
Obrigado pela partilha.
Boa semana.
Um abraço.

Cesar disse...

Um amor que brilha referencialmente, como farol.
Um abraço e boa semana.

A.S. disse...

Muito belo poema! É muito mais que um poema, é a tradução fiel da vida real.
Voltei. A minha gratidão Amiga Graça, pelas palavras que me deixaste. Acho que o pior já passou!
Desejo que tenha uma boa semana,
Um beijo.

carlos perrotti disse...

Interesante Poeta que no conocía, interesante como su actitud de difundir poesía, Graça amiga!!

Juvenal Nunes disse...

Há profissões de grande sofrimento.
Que se estende para lá de quem as exerce.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes

Pedro Luso de Carvalho disse...

Olá, amiga Graça, fico agradecido pela excelente partilha,
sem a qual não teria conhecido esse poema de António Cravo,
poeta que não conhecia.
Votos de uma excelente semana, com muita paz.
Beijo, amiga Graça.

Catiahô do BlogEspelhando disse...

Graça,
Obrigada mais uma vez
por tão lindos versos.
Percebi que ficou um tanto
alerta com minha história
na publicação anterior lá
no Espelhando na parte
que relato minha experiência
na juventude. Mas sabe AmigaPoeta,
eu sobrevivi, e quantas pessoas, sejam eles
homens, mulheres, crianças, adultos, jovens
ou velhos, que sucumbem
ou ficam mesmo doentes da mente?
É por Elas que nossa Poesia e nossos Relatos
de sobrevivencia
seguem sendo publicados, para que
Deus as ilumine e aqueça nelas
a VONTADE DE VIVER.
Bjins de um final de setembro bom.
CaiahôAlc.

© Piedade Araújo Sol (Pity) disse...

Boa tarde Amiga Graça Pires
Uma escolha muito boa do Poema do António Cravo.
Um poema de grande força e emoção, que dá voz à mulher que fica em terra, esperando, trabalhando e enfrentando, em silêncio, a dureza dos dias.
A imagem do mar bravo, do nevoeiro e do grito que orienta o barco transmite-nos a coragem, a resistência e o amor de quem espera.
Um belo retrato de uma vida marcada pelo mar e pela esperança.
A foto em completa sintonia.
Deixo um beijo.
:)

Laura. M disse...

Que largo se hace el tiempo cuando se espera. Mucho sentir en los versos.
Un abrazo.

MELODY JACOB disse...

Calling out through the fog to guide a loved one back home takes a unique kind of quiet courage. That black-and-white image of sitting in the sand staring into the vast ocean hit me right in the heart.

Tais Luso de Carvalho disse...

Olá, querida Graça, um belo e forte poema, mas como são tristes essas histórias
que envolvem o mar e a espera do companheiro em terra...
Belíssimo, sem dúvida. Obrigada pela partilha, querida amiga.
Deixo um beijinho e votos de uma ótima semana.

Ana Tapadas disse...

O poema é muito belo, pungente temática...gostei muito.
Uma bela escolha.
Figueira da Foz, lugar de tantas recordações e, ainda hoje, refúgio para onde, por vezes, somos levados.
Beijo, minha amiga.

Garfield disse...

Você parece a mitológica Penélope esperando por Ulisses. Mas você não desfia seu vestido de noiva e sim seus versos.

Nova Tirinha Publicada. 😼

Abraços 🐾 Garfield Tirinhas Oficial.

Emília Pinto disse...

Querida Graça, tanta gente fica em terra a sofrer, seja no caso dos pescadores, seja na vida de cada um de nós. Temos que ser corajosos nessa espera por dias melhores. Quando se fala em sofrimento, o meu coração lembra as crianças que, por doenca., pelas guerras, por abusos, pela fome, sofrem terrivelmente. E o pior é quando sabemos que essa dor tremenda é causada pelos próprios pais, que se revelam piores que os ditoa animais irracionais; estes protegem as crias e por elas atacam ferozmente. É incompreensível, mas é a triste realidade.
Querida Amiga, nao conhecia este poeta que retrata a vida da maioria das mulheres; elas trabalham muito, em casa e fora e muitas vezes não são valorizadas; quando chega a idade da velhice, são os próprios filhos a abandoná-las, esquecendo-se do quanto trabalharam para lhes proporcionar uma vida digna.
Obrigada e saúde para todos aí em casa, Beijinhos
Emília 🌻🌻

Parapeito disse...

Olá, doce Graça
Adorei o poema do António Cravo. ( não conhecia)
Mulheres que são o farol em terra.
Mulheres a quem o sal do mar lava os olhos.
Uma grande e bela partilha.
A foto é fortíssima .
Abraço e brisas doces ****

Mário Margaride disse...

Olá, amiga Graça.
Passando por aqui, para desejar um bom fim de semana, com tudo de bom.

Beijinhos, com carinho e amizade.

Mário Margaride

http://poesiaaquiesta.blogspot.com
https://soltaastuaspalavras.blogspot.com

☞ Um Dedo de Prosa — Com Jéssica disse...

Um poema que também constrói o leitor.
Saúde a você — Drª. Jéssica Mayra

Isa Sá disse...

A passar por cá para desejar uma ótima semana!
Isabel Sá
Brilhos da Moda

Duarte disse...

Graça, este belo poema fez-me voltar à praia de Angeiras.
Aquela manhã o nevoeiro marcou a sua presença e a sirene não deixava de tocar: as mulheres ajoelhadas na areia gritavam e rezavam. Impressionante, como aquele poema de Fernando Pessoa do mar salgado.
Abraços

Larissa Pereira dos Santos disse...

Lindo poema
De muito bom gosto
Abençoada semana
Abraços

alberto bertow marabello disse...

Il nostro faro, il nostro porto, il nostro rifugio ed ospedale e letto, il nostro punto fermo senza cui sarebbe impossibile partire. Questo ed altro ancora.
Molto carina, complimenti al poeta. Ciao amica Poetisa, buona settimana, spero piena di gioia.
Um beijo

She disse...

Belíssimo!
Beijinhos

Maria Rodrigues disse...

Quanta dor e sofrimento aperta o coração das mulheres que ficam em terra.
Um poema profundo e belo.
Desconhecia o poeta.
Beijos

manuela barroso disse...

Uma fotografia que espelha a realidade dos que ficam em terra à espera do pão e palavras que se adentram com uma grande tão verosímil.
Parabéns por nos trazeres este retrato com a actualidade de sempre , querida poeta !
Um abraço imenso para ti .

Os olhares da Gracinha! disse...

Mulheres de coração apertado! 😘

Fá menor disse...

A dor que amarga no coração das mulheres que ficam em terra!
Beijinhos e tudo de bom!