Amedeo Modigliani
Guardo,
ao lado das jóias,
uma
colecção de lenços de seda.
Diariamente,
em frente do espelho,
ponho
um, e outro, e outro,
até
que uma subtil variação de luz
se
detenha nos meus dedos,
antecipando
o adorno do colo.
Mas,
no tumulto inconfidente
das
mãos, há outro gesto,
mais
delicado, que assume
sinais
de sedução,
a
prever a nudeza do corpo.
E
deixo que se espalhem
pela
casa os segredos imperfeitos.
Graça Pires
De Fui quase todas as mulheres de Modigliani, 2017, p. 17



























