
Nunca te procurei. Não te procuro, tão indolente que sou. E, no entanto, acabas sempre por vir: de mansinho, insidiosa... Ó terrível desventura que salva! Em mim te aconchegas com teu tropel de vozes: lúcida desrazão que acalma, êxtase do que pressinto. E vens, misto de assombro e agonia, estranho dizer, talvez poesia.
Victor Oliveira Mateus
In Pelo deserto as minhas mãos. Sassoeiros: Coisas de Ler, 2004
