David Oliveira
Não era uma simples sombra a que recuava
no interior da claridade espelhada nos
lagos.
Incidia nas águas mais fundas
– onde a geometria dos seixos
se enrola nas raízes dos juncos –
e alongava-se pelas margens,
com a noite mais crua e molhada
a invadir-lhe os contornos.
Era a sombra do poente,
num horizonte que se olhava a pique,
tão incendiado como um cântico solar.Graça Pires
De Uma claridade que cega, 2015
