18.1.16

Recordo as mãos da minha mãe



Pode parecer absurdo
este cantar de dor a meia voz,
este cantar de amor em grito mudo. 
Recordo as mãos da minha mãe: o sabor
do pão quente, do leite, do mel;
as memórias, a coragem, o amor;
uma canção de embalar
que em luz se transfigura, 
e se faz puro afago no meu peito.

Sei agora que a terra é menos árida
nos lugares onde as mulheres
não morrem por terem as mãos
presas à pele dos filhos.

Graça Pires, 2016