A morte vem em todos os jornais.
É a razão de ser das reportagens.
Morre-se porque se ousa carregar na pele
a marca de diferentes etnias.
Morre-se em nome de um topónimo
no mapa do mundo, em nome do poder,
em nome de planos de paz.
Morre-se para baixar o stock das armas,
para testar a perícia dos beligerantes.
Morrre-se à queima roupa, como se a vida
estivesse entrincheirada num contra-senso
onde a noção de dignidade se perde.
Os refugiados só têm a voz
das cidades bombardeadas.
O pranto e o terror cativos do mesmo olhar.
As mãos doendo desalentadas.
Os rumores da guerra na respiração dos meninos
sitiados no silêncio dos abrigos.
Toda a demonstração de um equívoco, ou de um logro
na parábola que fala da fraternidade dos homens.
Graça Pires
O pranto e o terror cativos do mesmo olhar.
As mãos doendo desalentadas.
Os rumores da guerra na respiração dos meninos
sitiados no silêncio dos abrigos.
Toda a demonstração de um equívoco, ou de um logro
na parábola que fala da fraternidade dos homens.
Graça Pires
De Ortografia do olhar, 1996