Silena Lambertini
Para Victor Oliveira Mateus
anterior às palavras todas que escreveu.
Declinava o eco dos nomes
das vozes das mortes dos sustos.
Deixava-se perturbar pelo murmúrio
quase calado do veio de água
sangrando a surdina
de um rio nascente:
boca e fonte
tão mútuas da vertigem
que antecipa a sede
justificada na raiz íntima do verbo.
Era a anunciação de um poema:
fogo e lágrima lâmina e mel
espaço onde o voo começa.
Graça Pires
De O improviso de viver, 2023, p.25
