Poema tonto
Tu falaste e falaste do tamanho das coisas
sem adjectivos nem medidas, e eu, desastrada,
acabei por te contar que sou pequena. Depois
veio a chuva sobre ti, e eu corri à janela.
Não te vi e estranhei, até, a secura do céu
e da terra. Senti-me tonta de tanto ruído
no peito.
O barulho que pode fazer a chuva
Mesmo quando chove longe.
Virgínia do Carmo
In: Poemas simples para corações inteiros. Desenhos de Bernardo C. - Braga: Poética, 2017, p. 37