30.1.17

As laranjas


As laranjas,
vergando as árvores de tanto sumo,
fizeram-me sede.
Colho-as com os dentes propícios
à abundância de um soro cristalino
que alague a minha língua,
ávida da mais esperada seiva.

Graça Pires
De Uma claridade que cega, 2015