15.4.10

Em seara alheia



sabes, mãe. uma asa não deixa de bater
porque cai do corpo de um pássaro.

o nome que nos dão, ao nascer,
fica nos retratos, nos envelopes intactos,
nos poemas que hás-de escrever.

às vezes, é o medo que escreve,
outras é o vento, quase sempre
é o vento que escreve, mãe,
quase sempre é o medo.


Alice Macedo Campos
In: Um cão em cada dedo.


Este poema foi-me carinhosamente dedicado pela Alice num momento irremediável da minha vida. Obrigada, minha amiga.