25.9.23

Nomes sem eco



Sangram nomes dispersos 
em bocas invadidas por aves migratórias. 
Nomes sem eco em infindáveis viagens. 
Caminhantes multiplamente estrangeiros 
submersos em cansaço 
com a fuga a latejar no olhar. 

O ritmo dos passos 
segue com lentidão o som do vento 
no fio da indiferença 
que goteja sobre as cidades agrestes 
com esquinas irregulares 
sem abrigo algum. 

Graça Pires 
De O improviso de viver, 2023, p. 50