12.9.16

Por amor

Ana Pires

Nasce-se e morre-se todos os dias por amor.
Mesmo aquele que se reinventa.
Como uma oferenda
ou um alarme que nenhum poema diz.
Da fenda dos lábios deixo sair
a linguagem cifrada dos enigmas
para escandir a sombra desprevenida
das sílabas em erótico tumulto.

Graça Pires
De Uma claridade que cega, 2015