devolve-me a minha imagem:
sudário desatado ao vento
como um veleiro a todo o nó,
resgatando viagens
e despojos da ilha há tanto tempo
adiada no meu peito.
Em que naufrágio me salvei com gestos imprecisos?
Na minha boca, um mar interior
inunda as dunas mais distantes
preferidas pelo vento,
com areias em clandestinas danças.
Costuro, com búzios brancos,
redes de pescadores
para poder mergulhar o grito das mãos
fugidas das marés sem fundo,
agredidas pela luz nocturna.
Graça Pires
De Antígona passou por aqui, 2021, p. 42
