Laura Makabresku
Às
vezes a grafia é escassa
no
desadorno do poema.
Ponho
no rebordo dos dentes
uma
ferocidade
que
estremece qualquer culpa.
Uma
farpa que deixa na pele
o
rasgão da cólera delineado
em
monólogos emudecidos.
E
abro, à liturgia da música,
a
incisão do peito
para
forjar no coração a nocturnidade
melódica
de chopin, derramando
das
teclas a intimidade de uma súplica.
Graça Pires
De Uma claridade que cega, 2015
