Litorânea II
As ondas revolvem os barcos dispersados pelo vento
para possíveis futuros
(todos breves momentos).
Ela ouve as sereias que não cantam, apenas cochicham.
O mar será eternamente uma grandeza que a desarma.
Na maré, um pássaro morre,
no momento em que outro voa
em direção ao horizonte frágil.
Involuntariamente, na sua distância, este recebe o verão.
O encontro desses dois infinitos que se esbarram
na troca de estações, cruzam entre si espectros
que nunca se tocarão no tempo.
O mesmo tempo que captura as rugas
sob o sol cada vez mais voraz,
enquanto a juventude se esvai
diante dos olhos.
Solange Firmino
Nov. 2022
