9.1.23

Em seara alheia





Litorânea II 

As ondas revolvem os barcos dispersados pelo vento 
para possíveis futuros 
(todos breves momentos). 
Ela ouve as sereias que não cantam, apenas cochicham. 
O mar será eternamente uma grandeza que a desarma. 
Na maré, um pássaro morre, 
no momento em que outro voa 
em direção ao horizonte frágil. 
Involuntariamente, na sua distância, este recebe o verão. 

O encontro desses dois infinitos que se esbarram 
na troca de estações, cruzam entre si espectros 
que nunca se tocarão no tempo. 
O mesmo tempo que captura as rugas 
sob o sol cada vez mais voraz, 
enquanto a juventude se esvai 
diante dos olhos. 

Solange Firmino
Nov. 2022