Os vasos gregos, lembro,
mostravam bailarinas
que imaginei dançando a meu lado.
Depois tornei-as vivas, bailantes.
Com elas aprendi a silenciar o corpo
para que o grito fosse a espontânea
rotação sobre o abismo.
Também a primavera de botticelli
me despertou angelicais movimentos.
Cheguei a ficar horas a fio no assombro
e no êxtase daquela imagem que fiz minha.
O sagrado e o profano bailando no meu peito.
Porque a dança era-me a divina expressão
do espírito humano em direcção à luz.
Graça Pires
De Jogo sensual no chão do peito, 2020, p. 22
