dizia eu,
na idade de todas as crenças.
Hesitei tantas vezes no rio do olhar,
tão afluente, quando se alongava
para a margem da quietude
e percorria
todos os recantos de mim.
Que sinal de lume ardia em meus cabelos
que, por capricho, teciam sobre os ombros
o delido incêndio do crepúsculo?
Em meus cílios, eu sei, cresceram violetas
de brandura e de revolta.
Na cor de meus olhos se colheram.
De seu perfume, imensamente ardente,
se alagaram.
Graça Pires
De Jogo sensual no chão do peito, 2020, p. 19
