Tive amigos.
Eram actores, músicos,
bailarinos, boémios.
Escreviam o meu nome
nos jornais e em cartazes.
Em berlim chamavam-me deusa.
Na grécia quis ser ninfa, calipso,
nausícaa, ou mesmo ulisses.
No egipto deixei que o deserto
e o vale dos mortos me fascinassem.
Por todos os lugares conheci
o esmorecimento ou a ânsia da perfeição.
Como contar aqui todos os tropeços,
todos os despojos, todas as solidões?
Teimei incansavelmente na mais cúmplice
presença do silêncio.
Graça Pires
De Jogo sensual no chão do peito, 2020, p. 42
