13.8.14

Vento

Richard Avedon


Entro no poema através do vento que no verão 
litoral deste país parece enlouquecido. 
Agora o vento já não é tão atrevido como dantes, 
quando as mulheres usavam saias rodadas. 
É que a moda ludibriou o vento. 
Trouxe calças e calções. Ajustou os vestidos. 
O vento, esse, aprendeu a brincar com os piercings 
que as meninas prendem no umbigo. 
Às vezes dança também nos meus cabelos.

Graça Pires
De Caderno de significados, 2013