26.8.19

Em seara alheia


Nos mastros

Nos mastros do sol, evadi-me das marés
e dancei em labirintos de luz.
Tu eras o brilho faminto, cobrindo de
assombro meus sonhos vadios.

Atravessei tuas mãos no sobressalto dos dedos
e desenhei sombras na melopeia da noite.
Perdi-me no tempo insone
e deixei-te no espaço, versos dos nosso laços.

Pernoita agora nas flores das asas das andorinhas
carrega o meu sorriso nos teus braços.
Eu
farei de tuas mãos o meu abrigo
no sangue que arde em júbilo contigo.

Manuela Barroso
In: Luminescências. Seda Publicações, 2019, p.80