Hengki koentjoro
se insinuavam na gruta do olhar
como uma advertência,
com suas mãos se rasgava
debruando o friso dos ombros
com o gemido das ondas.
Aos poucos, apresava a voz ao silêncio
para escutar o vento a prender-lhe a sombra
à sombra dos barcos.
Havia quilhas em círculo no ventre da espuma
e excesso de lodo à sua volta.
Ninguém dava conta da névoa
que entorpecia o grito e estrangulava os pulsos.
Só a sua sombra, amarrada à sombra dos barcos,
urdia outra névoa para proteger as quilhas.
Graça Pires
De A solidão é como o vento, 2020, p. 44
