8.3.09

Mulheres

Gérard Castello Lopes

Ao som de canções de amiga,
revêem a geografia dos sonhos
na madeixa verde, que escorre
pelos seus cabelos, quando,
nem tudo é de pedra,
no exílio dos olhos.
Às vezes tudo o que têm,
está na memória
de um impossível discurso,
ou na visão alienada das paredes,
reflectindo pensamentos e esperanças.
São o culto onde o desespero
se desdobra em asas,
metamorfose de anjos negros,
criando clareiras nocturnas
para que a luz lhes devolva

o regozijo íntimo da vida.

Graça Pires
De Ortografia do olhar, 1996