23.1.23

Estão a caminho do mar

Henri Cartier-Bresson

Estão a caminho do mar 
as mulheres vestidas de luto. 
Souberam da tormenta 
pela imensa salinidade dos lábios. 
Têm uma quilha enterrada no peito.  
E querem ser aves de sal e vento. 
E vão, dizem, acender as estrelas 
que guiam os marinheiros 
na aflição das noites intermináveis. 
O destemor tão perto da loucura! 

Graça Pires 
De A solidão é como o vento, 2020, p.39

Se alguém quiser ouvir o poema dito pela minha filha Ana pode fazê-lo aqui:
                                    
                                                    https://youtu.be/Z3CngT426fk