Só um poema basta.
Só uma palavra.
Só um pingo de sombra
desinquietando a luz do meio-dia.
Só uma folha
manuscrita com os olhos.
Só o tic tac do despertador
a marchar pela casa vazia.
Só uma gota basta.
Só uma
se escorrer sem pressa pela fresta da sede.
Luis Palma Gomes
In: Fronteira. Edição de autor, 2022, p.30
