5.6.23

Em seara alheia




POUPANÇA 

Só um poema basta. 
Só uma palavra. 
Só um pingo de sombra 
desinquietando a luz do meio-dia. 

Só uma folha 
manuscrita com os olhos. 
Só o tic tac do despertador 
a marchar pela casa vazia. 

Só uma gota basta. 
Só uma 
se escorrer sem pressa pela fresta da sede. 

Luis Palma Gomes 
In: Fronteira. Edição de autor, 2022, p.30