25.10.21

Estava sempre a sorrir

Ana Pires Livramento

Estava sempre a sorrir. 
Como se possuísse um código 
clandestino costurado na bainha 
dos lábios para esquecer 
o inútil ruído das mágoas. 
Consideravam-no tonto. 
Mas ele, sentado no degrau de pedra, 
desenhava no chão o silêncio 
de um tempo demorado 
onde se improvisam 
os pensamentos indefesos. 

Graça Pires 
Em A solidão é como o vento, 2020, p. 59


Se quiserem ouvir o poema dito pelo meu filho Pedro no vídeo da minha filha Ana podem fazê-lo aqui:
                                 https://youtu.be/FVTBMZKFzx0