Parecem maçãs rubras, as mães.
Sabem que cumprem o ofício das amoras:
sangram para o interior.
Depois de cada filho, compõem lentissimamente
o seu chão ainda incendiado pela vida.
Só existem filhos amados demoradamente
se escutarem o apelo vital
vindo das entranhas do coração.
Sabem que cumprem o ofício das amoras:
sangram para o interior.
Depois de cada filho, compõem lentissimamente
o seu chão ainda incendiado pela vida.
Só existem filhos amados demoradamente
se escutarem o apelo vital
vindo das entranhas do coração.
Lília Tavares
In: Nas mãos a sede dos pássaros. Lisboa: Poética, 2024, p. 9
