ao anotar os nomes, ao deixar que cada rosto
se insinue no meu âmago,
nos degraus de uma interminável espera.
Escrevo água para alagar o útero maternal
e distingo ao longe a minha sombra,
com o coração inclinado sobre o meu ventre
duplamente fecundado.
Um abraço é o íntimo afago em que me reconheço.
O embalo consentido na plenitude do desejo
que ao corpo apetece e a alma confirma.
A perturbação presente na memória
como um horizonte
para sempre visível na bênção das mães.
Graça Pires
De Antígona passou por aqui, 2021, p. 36
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