24.7.15

Um manso estribilho




Foi com a sonância do oceano
que aprendi a amar a música.
As ondas, bradando, respiram um hino
prodigioso e medonho
que ouço rente às fragas.
Os barcos dançam no ancoradouro dos olhos
sorvendo-me o pranto onde há um mar
exilado há muitos séculos.
E sobre os meus ombros as aves nocturnas
vêm entoar o manso estribilho da vazante.

Graça Pires
De Espaço livre com barcos, 2014