na opressão interminável de cada rua queimada
de cada disparo de cada cerco de cada agressão.
A revolta presa na arma do terror.
A coragem engatilhada nas mãos.
O susto das sirenes no rosto dos filhos
e na correria angustiada das mães.
O clamor sufocado nas lágrimas
e no sangue a quem dói violentamente
o exílio do chão onde nasceram.
A exaustão a golpear o corpo.
A força do silêncio a ensurdecer o grito.
Sem tréguas sem resgate sem sujeição
hão-de abraçar-se fortemente entre as ruínas.
Graça Pires
De O improviso de viver, 2023, p. 64
