soltando os fantasmas e os sonhos.
Transpôs os espelhos quebrados,
os muros caídos, as árvores já velhas.
No desfile mágico dos mortos
procurava pedro páramo, afirmava.
Mas os caminhos extenuaram-lhe os pés
e a sua boca inchou com o silêncio,
com a poeira, com as ervas secas.
Assombrado, rebolou o corpo
pelo chão até ser trevo rasteiro.
Graça Pires
De A solidão é como o vento, 2020, p. 53
